A hora da mala e a bagagem cultural

Viajar enriquece. Troquei experiências com meus amigos que me deixaram uma pessoa melhor, mais compreensiva. Entender o mundo, compartilhar visões, links, livros, faz a gente crescer.

Estou fechando as coisas. O netbook, como a esperança, é o último a ser empacotado.

Tive grandes insights juntando pedaços de conversas e vou costurá-los numa grande colcha de visões para a palestra que vou fazer no dia 28 no YouPix. É minha primeira palestra feita por “crowdsourcing”, pegando informações de várias pessoas e reunindo-as num mesmo elemento.

No Twitter, revejo as brincadeiras de sempre, as queixas de costume. Somos todos crianças nesse recreio interminável que é uma rede social. Somos todos pessoas querendo carimbar o passaporte da existência e tentando entrar sob os holofotes do sucesso efêmero.

De banho tomado, cabelo lavado, alma nutrida, fecho os últimos zíperes das malas, bolsas, casacos. Descerei, pagarei as despesas de wifi, deixarei o cartão que abre a porta e voltarei para casa. A partir de agora todo o meu foco está na minha família e no desejo de voltar. No elevador, ainda há pouco, um cachorrinho me beijou, me lambeu, fez festinha, como se estivesse dando um retweet na saudade de Otto e Milla sentem de mim. Recebi a mensagem, queridos.

Obrigada pela companhia em mais uma viagem. Li todos os comentários e guardei-os em mim como jóias preciosas. Seu comentário é parte de tudo o que junto, coleciono, para criar coisas novas. Faço o que todo mundo faz. Faço do meu jeito, exatamente como você.

Um grande beijo e até a volta.

(A estação de trem e um pedacinho de azul no céu)

(Os amigos na estação de Friedrichstrasse, Gabriel Deberutti, Clarie e uma foto da rua onde fomos ontem, a caminho de uma festa.)

Vivendo e aprendendo

Comecei o dia com um belo café da manhã, naquela vibe ‘mistureba’ e cheia de indecisões. É complicado saber logo cedo se você quer salsicha com ovos mexidos, salmão defumado com creme azedo ou bolo de queijo e pão com geléia. Quando terminei, encontrei minha querida Claire, tomei mais uma xícara de café, que é muito bom aqui, e partimos para a conferência Republica.

Sentamos num lugar confortável e ficamos conversando sobre redes sociais, a vida, a maturidade, tinta pra cabelo e descobrimos, por um grego muito gentil (@epapa100) que estava a nosso lado, que no salão principal haveria uma palestra com Daniel Domscheit-Berg do OpenLeaks. Fomos para lá. O auditório é aquele gigantesco. Gabriel da DW disse que é o maior da Europa. Deve ser mesmo.

Daniel disse muita coisa interessante. O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Falou que responsabilidade exige recursos e que os veículos de mídia vivem hoje o paradoxo da exclusividade. Todo mundo quer informação exclusiva, o que é totalmente incompatível com a necessidade de coerência e acesso para todos.

Ficamos no auditório e ouvi a apresentação do Peter Sunde, avaliando o site de micropagamentos para conteúdo, o Flattr.Acho que já tinha ouvido falar, mas nunca experimentei. Abri uma conta e vou experimentar. Aqui, um vídeo explicativo do serviço.

Saí e fui fazer umas compras. Encontrei duas lojas que adorei na hora. Uma se chama SuperDry e é inglesa. A outra é sueca e se chama Weekday. Adorei a loja, as roupas. É tudo básico, mas de um jeito peculiar e diferente.

Voltei para o hotel, tomei banho, me troquei e descobri que duas coisas que eu comprei não estavam na sacola. Vou ter que voltar com a nota fiscal e pegar as coisas.

Vou comer e voltar pra conferência. Mais tarde vou a uma festa. No ano passado fui numa festa ótima no Mitte, bairro cultural de Berlin. Era uma comparação de tablets junto com uma festa. Hoje é uma festa de aniversário com o pessoal da Global Voices. Vai ser legal.

Minha web regiamente paga vai acabar. Se der eu compro mais. Se não der eu pego uma senha de meia hora no lobby e dou notícias.

Beijos saudosos de Berlin. A cidade é adorável, mas está um tempo horrível. E quando vi meu marido amado na videochamada no Skype, me dizendo que está um sol maravilhoso no Brasil, deu vontade de voltar. Amanhã eu embarco pra Frankfurt e de lá pra São Paulo.

O importante é a gente viver um dia de cada vez, no lugar onde a gente está. Eu estou aqui, vivendo e aprendendo.

Colônia, adorável

Sinos em Koln from rosana on Vimeo.

Os sinos tocando em Colônia. E algumas fotos do passeio delicioso que fiz com o Carlos, meu amigo brasileiro que trabalha na Deutsche Welle e mora na cidade. Compre a verdadeira água de Colônia (Farina), visitei a lojinha de um museu, entrei em várias lojas, dei um bom rolê e voltamos de trem para Bonn.

Aproveitei tanto o passeio que esqueci de tirar mais fotos.

Tantas notícias no mundo

Bom dia. Espero que sua noite tenha sido melhor que a minha. O fuso horário pegou forte ontem à noite e eu não conseguia pegar no sono no que seriam 9 da noite no Brasil e 2 da manhã aqui na Alemanha. O único estímulo para tentar adormecer foi o medo de perder o café da manhã. Liguei para a recepção e me garanti com o despertador do celular. Santo celular.

Acordei torta, atrapalhada, sonada e com olheiras do tamanho de orelhas de elefante. E, para minha surpresa, com muito frio. Ontem estava um dia lindo de sol, em torno dos 23 graus. Agora cedo, 8.

E na TV, ah, a TV, as notícias internacionais adquirem um novo sentido, porque entre meus amigos e amigas daqui, os relatos são de situações vividas e não ouvidas como no meu caso. Amira, amiga querida, é do Bahrein. Ela me contou os problemas antes que a CNN os narrasse. Amigos blogueiros foram presos por simples posts de oposição ao governo. A equipe da CNN toda foi detida no Bahrein.

Claire, de Paris, que morou muitos anos na África me explicou a situação na Costa do Marfim. O presidente caiu ontem. Eu não tinha noção do que estava acontecendo.

Rezwan me contou o que acontece em Bangladesh. Fiquei estarrecida ao saber que 15% da população sofre de algum tipo de dificuldade ou restrição física.

E, claro, tem as notícias do Japão, com o alerta máximo da usina nuclear de Fukushima, nome que a gente reconhece mesmo em alemão na TV e o novo terremoto.

O mundo parece diferente visto daqui, ao lado de tantos relatos pessoais sobre todos os lugares. É bom pra gente aumentar o raio de interesse. Se a gente bobeia, fica viciado na vida alheia das celebridades da TV e, convenhamos, é muito pouco para um mundo tão grande.

Vou me trocar porque a temperatura mínima prevista para hoje é de 2 graus. E parece que vai chover. Tudo bem, tenho casaco e guarda-chuva. Até mais tarde.

Bom dia!

Primavera em Bonn

Vista da Deutsche Welle em Bonn.

Ao lado do mundo, na DW

Lindas ruas em Altstadt, com árvores floridas. É primavera.

Cervejaria. Cada restaurante aqui fabrica sua própria cerveja. Bonn é uma cidada pacata, apesar de já ter sido capital. É muito tranquila, dá a sensação de que tudo é extremamente limpo e organizado.

Enfim, foi um dia de muito trabalho. Agora eu vou dormir, porque amanhã temos mais compromisso de manhã.

PS – Os jurados na Deutsche Welle

Sol, chuva, nuvens e, quem sabe, neve

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(ver mapa completo )

Quer dizer, tive que refazer a mala. Botei guarda-chuva, cachecol, meias quentes, roupa de verão, um pot-pourri de tudo.
Estou nervosa e triste, porque morreu Reali Junior.
Mas a vida segue e todas essas lições dolorosas servem pra gente repensar no nosso papel aqui. A gente tem que ser generoso, porque não vamos levar nada. A gente tem que ser sincero porque estamos aqui para iluminar.
Gente é pra brilhar, não importa quanto tempo dure a chama.

Obrigada, querido leitor.
Vamos conversando aqui, sempre.
A gente vive assim, voando aqui e ali no tapete voador da sorte de estar vivo.