Litoral

LUA2

Fez um dia lindo aqui no litoral norte de São Paulo. Sol, céu azul, brisa fresquinhas. Apesar dos problemas com o cachorro do vizinho (os vizinhos saem e deixam o cachorro sozinho por muitas horas, sem comida e sem água e ele uiva sem parar. Quando a noite cai, sem luz acesa, ele uiva mais ainda. E hoje é noite de lua cheia).

Espero que amanhã esteja tão bonito quanto hoje.

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Geyse, a garota da Uniban

[r7video http://videos.r7.com/geyse-a-estudante-que-foi-hostilizada-pelo-seu-vestido-aparece-no-palco-do-geraldo-brasil/idmedia/86cb3f57a19b5c5c8dbd7d9f44750319.html%5D

A moça que foi hostilizada por colegas de faculdade dá entrevista exclusiva e mostra o vestido que causou tanta confusão.

[r7video http://videos.r7.com/estudante-da-uniban-mostra-o-vestido-que-causou-polemica/idmedia/6ce655ddce155698b0e58f6aeb18c938.html%5D

Hoje é aniversário do Zina

Eu não vou dizer o que eu acho do Pânico. Eu trabalhei no Pânico, eu sou amiga das pessoas do Pânico. Amiga. Do Emilio, do André, do Rodrigo, do Daniel, da Sabrina,da Amanda, de todo mundo. Mesmo. Não vou falar dos produtores, nem dos apresentadores, das emissoras. Eu vou falar do Zina. Todos nós trabalhamos no mesmo mercado, em grupos de comunicação em busca da mesma coisa, sempre: a sua atenção. E cada um decide, de acordo com o que pode, acredita, deseja, o que vai fazer para conseguir este tesouro:  sua audiência,o seu clique,  seu page view.

Este post, por exemplo,precisa ser interessante, bem escrito, útil, original. Porque se não for, você vai ver outra coisa. A rede é infinita e, como disse o André Forastieri, a ‘Internet estimula a infidelidade‘.

Pois bem, hoje é aniversário do Zina. Ele faz 28 anos.  Como eu sei disso? Bem, primeiro porque eu sigo muita gente no Twitter.  E alguns dos integrantes do Pânico disseram que ele faria aniversário esta semana. Fui atrás dessa informação para descobrir o dia.

Aqui está um atestado que o isenta de tarifas de transporte público, com a data de nascimento dele: 30 de outubro de 1981. Zina faz 28 anos precisamente hoje, nesta sexta-feira que antecede o feriado de Finados.

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Evidentemente eu apaguei (cobri) as informações pessoais. É só para mostrar que é um atestado dele, com seu nome e sua data de nascimento.

Ele é muito jovem, 28 anos apenas. Não sei sua história, não sei como é sua vida. O que eu sei dele é o que eu vejo na televisão, no Pânico e agora, na mídia em geral.

Zina, hoje, é adorado por milhões de pessoas. É impressionante ver como tem gente que o defende, elogia e até inventa argumentos para isentá-lo de qualquer acusação. Primeiro porque ele é corintiano e a gente sempre gosta de quem torce pelo mesmo time da gente. (Eu sou são-paulina e tenho simpatia por todos que também o são). Os corintianos devem gostar do Zina de saída.

Segundo porque ele tem um vocabulário próprio. As expressões que ele usa viraram moda. Todo mundo manda ‘salve’, fala da Xurupita, grita ‘Ronaldo’, usa termos como ‘vamos cair pra dentro’. OK, Zina não é nenhum Ayrton Senna, mas seu jeito peculiar de ser, com a ajuda dos meios de comunicação, o transformou numa espécie de ‘ídolo’. Ou talvez, anti-herói.

zina-laudo-cid10O que eu sinto? Eu tenho pena do Zina. Ele é um cara humilde, no sentido mais amplo de ‘humildade’ ou, como disse o Prof. Lalo, ele tem ‘debilidade social’, tem uma vida de privações, de muitas limitações. Ele tem um jeito engraçado, porque fala diferente. Ele é original. Porém, tem um lado que me incomoda também. Porque ele tem problemas de ordem psíquica. A família dele, aliás, diz que ele não tem capacidade para cuidar de si e pediu sua interdição jurídica, alegando transtornos mentais. (O documento acima diz a mesma coisa. Vou até perguntar para o meu marido sobre a categoria F25, ‘transtornos esquizoafetivos’, ver figura à direita.)

Ao mesmo tempo que sinto compaixão, por ele ser simplório, por ter problemas com drogas, por ter transtornos mentais (é o que diz o documento), acho-o engraçado. E dou risada. E aí, me sinto mal. Eu estou rindo de uma pessoa que tem problemas? Então eu devo ser muito cruel.

Mas se rir de uma pessoa que tem uma limitação, seja ela física, mental, social é ser cruel, então o Brasil inteiro é cruel.Será que é isso? Somos todos maus, sem coração, pervertidos? Estamos nos divertindo com a limitação dele? Um amigo me disse que o Brasil hoje ri do Zina da mesma forma que um dia riu do Latininho na TV. E que não há diferença entre rir de uma pessoa com problemas físicos e  rir de alguém que tem problemas mentais, ou sociais. Me fez pensar. São questões que temos que discutir.

Hoje é aniversário do Zina, a pessoa mais falada do momento.

Ele faz 28 anos. Provavelmente vai ganhar uma festa do programa para ser exibida no domingo, junto com um texto bonito e emocionado. Se eu estivesse lá ainda, eu seria a pessoa que escreveria o off do Emílio. E ficaria com toda a equipe torcendo pra chegar a vinte pontos de audiência.

Mas aqui, neste post, no meu blog, eu estou como cidadã. Assistindo tudo por outro ângulo.

E o presente de aniversário que eu acho que o Zina precisa ganhar  é um tratamento. Tratamento para sua dependência química, tratamento para seus transtornos mentais para tudo o que ele precisar.

Porque não é justo que um ser humano sofra ou que riam de suas debilidades. Vale para o Zina, para o Latininho.

Mas também não é justo construir um país  que só consegue oferecer como exemplo de  ídolo, um dependente químico com problemas mentais, que se torna engraçado por falta de tratamento.

Hoje o Zina faz 28 anos.

E sua palavra-chave faz todo sentido: salve.

Um salve para o Zina.

Ele precisa de salvação.

E nós também.

Leia mais no R7:

A aluna da Uniban

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O vídeo acima mostra uma entrevista do programa Hoje em Dia com a aluna da Uniban que sofreu humilhação por causa da roupa que vestia.  A matéria está aqui. Veja outro vídeo :

[r7video http://videos.r7.com/aluna-e-expulsa-de-universidade-por-causa-de-roupa-curta-em-sp/idmedia/b502ae6dc4bc627724ac728d644b9299.html%5D

Como costuma acontecer na web, a circulação de vídeos, textos, informações é veloz e traz consigo uma avalanche de julgamentos  precipitados, muitas vezes infundados. Na pressa de sentir-se ‘por dentro’ dos fatos, corremos para assistir, ler e formar qualquer opinião, só para chegar  em redes sociais com uma posição pronta.

Eu, como todo mundo, também estou acompanhando o caso. Leio tudo o que é publicado, procuro por tags no Twitter, ouço rádio. Eu trabalho num portal de Internet, o R7, cercada de jornalistas antenados e competentes. Eu vivo num mundo de notícias.

Hoje cedo ouvi uma entrevista do Heródoto Barbeiro com um psiquiatra da USP, comentando o caso. O psiquiatra falava sobre este tipo de ocorrência em que uma horda, um grupo, age de forma selvagem por contaminação de uma ou outra pessoa de personalidade perversa, ou patológica, que incita e inflama uma coletividade para um ato de violência.

Ele mencionou as torcidas de futebol como exemplo. Do nada, um resolve sair quebrando e muitos vão atrás. Isso também acontece no mundo online. Gente que, como a moça disse na entrevista ‘vai no embalo’, vai na ‘onda’ do outro. E é essa a palavra, onda, que me fez lembrar de um filme,  chamado “The Wave”, dos anos 60.

Uma escola americana, em Palo Alto, fez uma experiência com alunos para explicar como o nazismo aconteceu. O professor seleciona uma turma e começa a tratá-la de forma diferente. Diz que eles são melhores, superiores. Cria um insígnia. É chocante. Porque a experiência dá certo. Os alunos começam a se comportar como se,de fato, fosse superiores aos outros, como se fossem uma ‘raça’ dominante. No YouTube você pode ver em duas partes (Parte I e Parte II)

Este episódio tem traços dessa experiência. Porque mostra como o preconceito, a violência, a ira, podem se espalhar rapidamente, misturando ódio, brincadeira, falta de noção, frustração. São pessoas que acham que podem julgar o outro, que podem fazer justiça com as próprias mãos, (ou justiça com os próprios mouses…)  sem passar por nenhum filtro de bom senso.

A moça estava usando um vestido curto? Muito curto? Micro? Estava com uma blusa assim ou assado? E daí?Um monte de garotas andam assim. A Sabrina Sato, uma pessoa que eu realmente adoro, usa roupas deste tipo. Sempre foi assim. Ela é linda, ela é gentil, ela é doce. E ela anda com roupas totalmente escandalosas. Quando eu a conheci eu brincava dizendo que sempre tinha que ter alguma coisa de fora, ou em cima, ou em baixo, ou ambos. É o jeito dela. É o espírito dela. E Sabrina vai assim pra todo lugar. Inclusive, pra faculdade. E só por causa disso ela tem que ser achincalhada? Claro que não. Nem ela e nem ninguém.Todo mundo tem o direito de fazer o que bem entender e o limite é a lei, não o vizinho. Se a lei não permite que se ande nu porque constitui um atentado violento ao pudor, então a lei é que vai regulamentar isso. Se o cidadão discorda, ele vai tentar alterar essa lei, procurando os legisladores, conversando no seu bairro, indo até seu vereador na câmara, para sugerir um projeto de lei que altere isso. A sociedade civil organizada E civilizada age assim.

A selvageria que também me remeteu para as mulheres adúlteras apedrejadas até a morte no Afeganistão. A moça da Uniban só não passou por isso por falta de pedras. É bem possível que, se no meio daquela loucura coletiva os agressores tivessem pedras soltas ao alcance da mão, teriam atirado pedras nela.

Estamos chegando ao ano de 2010, ano que encerra esta primeira década do século XXI, como comentei aqui outro dia. E é isso que estamos vendo. Não sei se está acontecendo mais coisas, mas estamos VENDO as coisas acontecendo. Por conta da tecnologia fácil, do acesso à captação e divulgação de imagens, o mundo tem esta nova cara, visível a todos.

Esses absurdos todos que vemos, esse enaltecimento de pessoas sem noção, essa paixão pelo lixo, essa fúria em massa, essa vontade de destruir, de atacar, inclusive online, de julgar de forma preconceituosa e cruel, são sintomas de uma sociedade doentiamente contraditória e retrógrada que inclui todos nós.

Chegou a hora da vergonha na cara. Temos que admitir nossos preconceitos. Nossos medos. Nosso ódio. Nossa ambição. Temos que admitir o que de pior há em nós. Temos que revelar nosso lado mais podre. Porque é só trazendo à tona nossa podridão que poderemos tratar nossa doença social. É hora de limpar a fossa. Porque é só metendo a mão na sujeira que  a gente faz limpeza. É só admitindo as trevas que podemos ter a luz.

A saia era curta? Era. Mais curta ainda é a tolerância do ser humano.

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