Emma Thompson wants us to like our bodies. She knows it’s hard. – The Washington Post

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Source: Emma Thompson wants us to like our bodies. She knows it’s hard. – The Washington Post

Opinião é a selfie do conhecimento

E muda o tempo todo

Sou ouvinte assídua da Rádio CBN há mais de duas décadas, de forma praticamente ininterrupta. Só desligo quando tem algum assunto que não me interessa (e.g. ‘dicas para fazer seu imposto de renda’) ou profissional que não me agrada (gente chata e prepotente). Mas as exceções são poucas, gosto de quase todo mundo, incluindo ouvintes, que me fazem refletir e aprender.

Foi o que aconteceu durante um quadro com o querido professor Pasquale, que usa letras de canções brasileiras para iilustrar suas explicações para dúvidas da língua portuguesa enviadas pela audiência.

No final do quadro, quando Pasquale já encerrava a apresentação, a âncora que cobria as férias de Tatiana Vasconcellos leu um elogio a ele A ouvinte dizia-se admirada, maravilhada com o fato dele sempre encontrar uma música com a exata palavra ou termo da dúvida e parecia acreditar que o professor fizesse tudo isso ‘de cabeça’, como se ele conhecesse todas as letras escritas no cancioneiro popular. E perguntou como ele conseguia tal proeza. Pasquale agradeceu, deu uma resposta que considerei um tanto quanto genérica, contando que conhece algumas tantas canções, outras ele encontra por aí. Agradeceu e despediu-se.

Nesse momento eu estava terminando de escovar os dentes, ouvindo a rádio no banheiro e fiquei pasma, a ponto de resonder para o aparelho com um sonoro ‘como assim?!?!?!?’ Porque, obviamente, a ouvinte não deve ter conhecimento dos sites especializados em letras de música que tem um potente mecanismo chamado BUSCA.

Basta você entrar num desses sites, digitar qualquer palavra da língua portuguesa, qualquer nome próprio ou expressão e obter todos os resultados com as letras das canções que contém o que você pesquisa, em segundos! Não é que o professor, que merece todos os elogios do mundo por sua carreira, tenha todas essas canções na memória, ele, a produção, fazem PESQUISAS!

Digamos que você queira saber uma música que contenha a palavra ‘paralelepípedo’ que parece improvável de estar em algumam canção. Você entra no site www.letras.mus.br , digita PARALELEPIPEDO e encontra:

E, a partir dai, basta escolher uma música, pedir para a produção da rádio e tocar o trecho que contém o termo.

Ou seja, a ouvinte acompanha a mágica e, por não conhecer essa possibilidade de busca, imaginou que Pasquale tenha todos esses exemplos na memória. O que me fez pensar que muitas vezes formamos uma opinião ou tiramos uma conclusão errada por falta de conhecimento. Nosso cérebro não consegue conviver com a dúvida e, quando temos uma pergunta e não sabemos a resposta, preeenchemos esse vazio com alguma suposição. E assim, arquivamos muitas conclusões sem fundamento.

A opinião que temos sobre tudo, a cada momento, é um instantâneo baseado no que sabemos naquele instante. Como uma foto Polaroid. Como uma selfie. Mas a cada novo aprendizado, reconfiguramos as coisas. Nossas opiniões deveriam ser tratadas assim, como fotos que registram só aquele segundo, sem grande valor e passíveis de alterações. Aliás, é para isso que debatemos, para que seja possível reformular nosssa visão limitado de mundo a partir dos horizontes alheios.

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