Sem paixão não há solução

Paixão é diferente de amor.
Paixão é a cena, amor é o filme.
Amor é a árvore, paixão é o fruto.
Amor é o mar, paixão é a onda.
Amor é o céu, paixão é a estrela.
O amor é um processo, a paixão é um acontecimento.
Amor é a eternidade, paixão é um momento.

Mas a eternidade é uma coleção infinita de momentos, a árvore dá mais prazer quando tem fruto, não tem filme sem cena é muito melhor ter um céu estrelado do que encoberto. Portanto, amor e paixão se irmanam, se cruzam e se relacionam.

Há casos em que é fácil distinguir as duas naturezas desses sentimentos porque você pode se apaixonar pela carinha de um filho quando ele nasce, mas o que você sentirá durante toda a vida é um amor incondicional, infinito, incondicional, onipresente e não o fogo da paixão que tem um auge. O amor não tem picos, o amor é um contínuo.

Já a paixão é um evento.
Tem o momento em que eclode, em que explode. E, sim, é possível prolongar o estado de paixão.

A gente se apaixona por muitas coisas. Por pessoas, objetos, seres vivos em geral, ideais, causas. A gente se apaixona por si mesmo, por um sabor, um prazer físico ou espiritual. A paixão é uma ignição, o click, aquela coisa que estala, como um momento de eureka! É possível ver sem um grande amor, não é possível viver sem jamais ter se apaixonado.

Nas redes sociais vemos a paixão movimentando as timelines o tempo todo. Fãs apaixonadas por seus ídolos que realimentam suas paixões pela competição, ativistas apaixonados por suas causas retroalimentados por seus simpatizantes e apoiadores, militantes que defendem seus partidos políticos com paixão avassaladora, muitas vezes entrando em conflito com seus opositores.  A paixão está em toda a Internet, até mesmo na paixão de ódio que alguns nutrem por tudo o que é moda ou modinha. Entrar na rede é logar-se na rede de paixões que movimenta nossa vida.

Acontece que assim como o açúcar atrai a abelha, a paixão atrai o descontrole. Se somos donos do nosso amor, somos escravos das nossas paixões. Assim que você é arrebatado por ela, começa a entrar num processo de entrega e, muitas vezes, acaba sendo possuído pela paixão até o ponto de tornar-se uma vítima do sentimento. Existem incontáveis vítimas fatais da paixão na história da humanidade, tanto é que o termo é ‘crime passional’, de paixão e não crime ‘amoroso’ de amor. Porque quem ama não mata. Mata só quem está perdidamente apaixonado.

Porque se o amor é o encontro, a paixão pode ser a perdição.

O fã que mata o ídolo que não nota sua existência, o apaixonado ou apaixonada que mata o objeto de sua obsessão porque foi rejeitado, o militante que transgride a ética em busca da vitória, o atleta que se apaixona pela ideia de vencer e ultrapassa o limite do bom senso, o ativista apaixonado por um sonho que se perde em atitudes radicais.

Sim, a paixão pode degringolar para a violência.  A paixão pode ser raio, trovão, tsunami, avalanche ou qualquer outro grande evento onde uma carga gigantesca de energia se desprende num átimo, numa fração de tempo. É um pico, um zás! , diferente do amor que é energia espalhada, um campo de afeto e bem-estar.

Quando a paixão mostra os dentes pode partir pro confronto mortal, o tudo ou nada.
E é por isso que em nome da não-violência e da prevenção de tragédias, devemos ter não apenas o fogo da paixão, mas o extintor do bom-senso pendurado na parede do coração.

Não dá pra viver sem paixão, mas não faz sentido morrer ou matar por ela.
Sem paixão, não há solução. A vida fica flat, chata, uma linha contínua onde tudo é sempre igual até terminar.
Mas paixão demais, fanática, lunática, mata o hóspede e o hospedeiro.
E se tem uma coisa que a gente precisa é manter quem se ama sempre feliz. E inteiro.

 

Fora do peso, fora de órbita, fora de si

Quem sou eu na fila do pão?

Eu sou aquela que gostaria de  comer tudo o que bem entende e sempre ser magra. Que quer perder peso sem fazer dieta e exercícios.  Que quer falar sobre peso sem ninguém encher o saco.

Dá?

Não, não dá.

Porque eu me esforço, me disciplino, me dedico e mesmo com toda a reeducação alimentar, bobeou, engordo dois quilos.

-Ah! Que rídicula! Reclamar por causa de dois quilos?

Olha, posso até estar ridícula ao comentar um probleminha, mas eu já vivi todos os outros ridículos de quem viu o peso subir e subir e subir, contrariando as expectativas de que tudo que sobe desce.

A luta é eterna. A manutenção do peso aproximado do ideal é um compromisso para toda a vida. Porque não é apenas controlar o peso, mas domar um processo mental/psíquico que descamba pra comilança por motivos que não tem nada a ver com fome. Como a ansiedade, o medo, a irritação, a infelicidade ou qualquer outra instabilidade emocional que me tira do eixo. Ou melhor, dá órbita, porque ~fora do eixo~ é assunto complicado hoje em dia.

Mas entendo quem reclama da minha reclamação. Ontem senti isso ao ler que a Ticiana Villas Boas, que pesa 52 quilos disse que está ‘2 kilos acima do peso’ e também senti aquele sanduichinho de revoltinha no pão diet de desprezinho. Humanos, é o que somos.

Poréeeeeem (e agora começa o objetivo REAL do post) eu não entendo gente que está acima do peso, está infeliz porque está cima do peso, gostaria de ser magro ou magra e, em vez de investir energia para entender a si mesmo, compreender os processos de relação com a comida que podem levar ao sobrepeso e tal, decidem que vão lutar pelo direito de ser gordo.

Bom, eu sou A FAVOR DO LIVRE ARBÍTRIO, da Pluralidade, da liberdade. Todo mundo tem direito de existir e ser como é, sem que ninguém encha seu saco por isso. É como deveria ser mesmo.

Se a pessoa tem 3 olhos, 8 pernas,  zero braços, se tem algum problema de formação, de pele, se foge ao padrão pra mais pra menos e etc, ela tem o mesmo direito a tudo como todos temos. Como disse Débora Colker no episódio horroroso de discriminação contra seu netinho que tem uma doença rara de pele, ~os outros que acostumem seus olhos a meu neto~, porque ele tem direito de existir no mundo.

O que eu não entendo são os casos como o da Preta Gil. Eu gosto do jeitão da Preta Gil e acho o máximo gente que está cagando e andando pra opinião dos outros sobre seu peso. Mas aí entra a ~lógica~. Se a pessoa REALMENTE estivesse cagando e andando muito, ela já emagreceria (Ha.Ha.Ha.).  Mas ela diz que não liga e tal. E ASSUME a bandeira dos gordinhos. Aí ela vai lá e aceita participar do medida certa com um MAGRO, o Fábio Porchat, que era gordinho e perdeu 30 quilos.

Quer dizer, dá pra entender? Uma hora ela levanta a bandeira de quem está com sobrepeso, faz fotos photoshopadas de modelo plus size e passa a representar todas nós que sofremos com peso em excesso. Beleza. A gente acredita que ela está DEFENDENDO O DIREITO DE EXISTIR COM SOBREPESO.

Aí, do nada, ela vai e faz um quadro no Fantástico que faz uma dieta que funciona porque né, sob SUPER supervisão e compromisso na TV e emagrece. Depois, assim como o Zeca Camargo, engorda tudo de novo.

Quer dizer, é pavê, pacomê ou páenganá?

É só pra fazer entretenimento, né gente? Como todas as emissoras de tv.

Repito, eu não estou gorda no momento. Eu gosto da Preta Gil. Eu nem conheço o Zeca Camargo direito. Sou fã do Fábio Porchat. Portanto o post não é sobre A MINHA RELAÇÃO COM OS FAMOSOS PRA VIRAR FOFOQUINHA E INTRIGUINHA. É sobre a minha DIFICULDADE  de entender as pessoas que não sabem direito se emagrecem, se engordam, se defendem o direito de serem gordas ou  o quê.

É bem provável que, como eu sou de outro planeta, onde coerência tinha um valor emocional importante na manutenção da estabilidade psíquica, seja outra a questão.

As pessoas querem apenas ter o direito de serem loucas, inconstantes, fora do peso, fora de órbita, fora de tudo. Talvez o barato do ano de 2013 seja apenas ficar existindo e reclamando, sempre brigando, sempre contra, exatamente como estou fazendo agora.

Talvez minha sede de lógica seja o grande problema  aqui  e meu maior erro seja tentar contrariar as experiências psicológicas sociais (Ash) e não me render à maioria tresloucada.

Vai ver com esse post, já aderi à voga. Porque me deu uma vontade de me desdizer e terminar o post exatamente do lado oposto da minha própria opinião.

Que legal que a Preta Gil vai participar do medida certa e emagrecer depois de levantar a bandeira do Plus Size. Que legal! Assim, todo mundo que foi atrás dela e vai se sentir abandonada vai ter que tomar a mesma medida certa e partir pra uma controle melhor da saúde.

Porque, né, é só por saúde que todos nós buscamos a forma ideal, jamais por vaidade, jamais!

Não é por vaidade que a gente se arruma, se maquia, se botoca, malha, whatever, NUNCA! É tudo pela saúde e pela harmonia estética para que os outros se sintam felizes.

Espero que agora, com incoerência, mentira e dissimulações eu consiga pelo menos hoje, não me sentir fora do mundo.

Bom dia.

E lembre-se: é tudo bobagem e vamos todos morrer mesmo.

 

 

 

Comunicação é..

Outro dia, conversando com o Forastieri na redação do R7, rolou um diálogo mais ou menos assim:

 

FORASTIERI

Eu sempre disse que comunicação não era
o que eu dizia, mas o que o outro entendia.
Mas, ultimamente,  mudei. Agora eu só me
responsabilizo pelo que eu falo e não tenho
nada   a   ver com o  que  o  outro  entende.

ROSANA
Eu também sempre achei que comunicação
não é o que você fala, mas o que o outro
entende.  Só que  eu também mudei. Agora  eu
acho que  comunicação é um pequeno
~milagre~ que acontece quando, eventualmente
o outro entende exatamente o que você quis dizer.

E milagres acontecem.

O valor da delicadeza

Nos anos 80 eu tinha uma casinha em Campos do Jordão. Era um lote no meio do mato que comprei com o dinheiro que ganhei como colaboradora de uma novela do Cassiano Gagus Mendes, da Rede Globo, Champagne. Meu nome nem aparecia nos créditos, porque eu tinha uma empresa de textos chamada Verso e Prosa e a emissora só publicou o nome do outro sócio. Valeu pela experiência anyway.

Meus vizinhos eram muito legais e costumávamos trocar pequenos presentes em visitas de cortesia. Lembro que uma vez tive a ideia de levar uma caixinha de biscoitinhos para uma vizinha. Fiz a massa, assei os biscoitinhos. Ficaram lindos. Depois comprei material e fiz a caixinha. Para não colocar os biscoitos direto no papelão, fiz uma toalhinha de papel bem fino para acondicioná-los. Coloquei os biscoitos sobre o papel, dentro da caixinha que montei. Embrulhei com um laço de fios de lã que eu mesma fiz. Na saída de casa, peguei uma florzinha da minha floreira na porta, coloquei no laço e levei o presente. A pessoa que o recebeu segurou a caixa, abriu-a, ofereceu os biscoitos e enxergou cada detalhe do meu afeto e da minha dedicação para com o presente. No final, fui eu a presenteada com a delicadeza de quem enxergou ali o trabalho de minhas mãos.

Sempre tive olhos para o delicado e para o invisível, aquilo que está contido no objeto e nos gestos que o trouxeram até ali. Adoro pessoas que são assim. No ano passado, a Lelê me deu uma festa de aniversário de presente, entregue em Santorini, na Grécia. Acordei e encontrei bolo, prosecco, flores, um cartão inesquecível, tudo produzido por ela daqui do Brasil. Vou lembrar pra sempre. Trouxe pra ela da Grécia uma garrafa de Vin Santo. Quando entreguei a garrafa pra ela no R7, a primeira coisa que ela comentou foi sobre o trabalho e o cuidado que eu tive pra levar a garrafa de Santorini até lá. De fato, viajei com a garrafa no colo, morrendo de medo de quebrá-la, de alguém mexer no compartimento das bolsas de mão e acontecer alguma coisa. Ela não viu só o presente, a foto, ele entendeu o filme.

Nunca tive uma vida de refinamento. Meus avós eram imigrantes e bastante rústicos. Mas cada um tinha sua delicadeza. Minha avó materna, por exemplo, fazia toalhinhas de crochê com fio de linha de costura. Era um trabalho louco que pouca gente reconhecia, muito delicado. Minha mãe fazia casaquinhos mimosos de tricô, minha tia bordava tecidos finíssimos. Meu avó paterno, além de coisas pesadas de madeira, fazia delicados colares de metal e vidro.

A delicadeza não é sinônimo de coisa cara, de cristal lapidado, mas da sutileza humana. Produzir e reconhecer sutilezas é uma arte que está morrendo. Pelo menos é o que tenho sentido. Porque a percepção e produção da delicadeza requer coisas que a sociedade moderna não tem mais, como foco, tempo, concentração, amor, dedicação.

Sinto falta disso. Sinto falta em mim mesma. Sinto falta da minha própria delicadeza quando faço comida com pressa, quanto publico um post sem revisá-lo com cuidado, quando faço de qualquer jeito para cumprir a tarefa e passar para o próximo compromisso.  Sinto falta do quanto isso era importante e deixou de ser, de como essa vida industrializada, do alimento ao sentimento, transformou as pessoas em robôs imprimindo seus egos em linha de série, sem reparar em mais nada nem ninguém.

A mídia, em busca de atenção, opta pelo caminho da brutalidade, tentando chocar cada vez mais a audiência para que os sentimentos fortes gerados resultem em muita indignação, muita revolta, muito qualquer coisa para mobilizar a pessoa a passar o clique adiante.

Hoje, no meio do meu jeito rústico e desse mundo bruto, acordei delicada.
E fiquei feliz porque um amigo notou uma pequena brincadeira que postei.
Me deu uma delicada esperança de continuar acreditando que a delicadeza ainda é visível, pelo menos aos olhos daquele que ainda ouvem o bater do próprio coração.

 

 

 

Falta de serviço! Em outro sentido.

O brasileiro tem ódio do ócio. A crença judaico-cristã de que o trabalho duro, suado, é o único pacote turístico para a vida eterna no céu criou uma mentalidade de desprezo por qualquer tipo de tempo livre. A gente vê isso muito arraigado no vocabulário e nas expressões das pessoas nas redes sociais. Basta qualquer pessoa mostrar uma criação sua e os clichês pululam:

– Não tem louça pra lavar?

– Vai pegar um tanque cheio de roupa!

– Tá com tempo sobrando, hein?

Sei que já falei disso no blog, mas aqui é só uma introdução. Não vou falar da ‘falta de serviço’ que é mencionada sempre que alguém usa seu tempo com algo que o OUTRO julga inútil. Falo de ‘serviço’ no sentido que empregamos no jornalismo, a prestação de serviço.

Informar sobre o trânsito, o tempo, dizer o que abre e o que fecha nos feriados, prazos de entrega de imposto de renda, datas de pagamento de IPVA, etc. Prestar serviço, nesse sentido, é dar informação útil para a vida a cidadão. Numa sexta-feira que antecede um final de semana de sol é sempre bom falar sobre as condições das estradas que levam ao litoral e ao interior do estado, ainda que o interesse primordial do público seja a magreza excessiva da atriz Déborah Secco.

Pois bem, agora que todo mundo tem mídia e pode publicar textos, fotos, vídeos e combinações todas as coisas, imagina-se que o próprio público possa prestar serviço. E presta. Há uma pequena parcela que reporta acidentes, buracos nas ruas, que avisa sobre interdições, que filma avalanches, que compartilha descobertas, indica restaurantes, aplicativos e tudo mais.

Essa, aliás, é uma linha que me agrada muito. O próprio quadro Rosana Indica é uma prestação de serviço de indicações de sites, apps que podem ser úteis ou divertidos para as pessoas.

Mas, você sabe, existe aquele outro conceito clichê, de que de amarga já basta a vida, então vamos todos rosetar. E, para milhões, para quase todos, a Internet é quase exclusivamente para isso, ~zuêra~. Não sei dizer qual a proporção, mas imagino que para cada MIL vídeos de bobagem assiste-se um tutorial para aprender alguma coisa. Veja, não estou dizendo que isso ou aquilo é ruim, apenas a proporção do interesse é díspar demais. Vejo aqui no portal.  Um canal, blog ou página sobre fofocas de celebridades chega a 5 milhões de views por mês, enquanto um canal de prestação de serviço num blog pode chegar a 5o mil.

Pois o povo que agora publica faz a mesma coisa. Não posta nada de útil pra ninguém. E, olha, o grau de inutilidade chega a níveis estratosféricos! Vou explicar o que eu quero dizer.

  • Se alguém posta que está comendo uma banana, parece inútil. Mas, para um nutricionista pode ser um dado interessante dentro de um contexto maior. É um comportamento de consumo alimentar, serve pra alguma coisa. 
  • Se alguém reclama que não está dormindo bem à noite e outras pessoas também falam que dormem pouco, também pode ser interessante para quem pesquisa o sono do brasileiro. Não é uma prestação de serviço imediata como quando alguém posta um link de um site que envia SMS gratuito, por exemplo, mas já é alguma coisa.
  • Se alguém posta o que SONHOU, a coisa já começa a ficar besta. Porque o que você sonhou só interessa pra você e pro seu analista (já falei disso aqui) e pra mais ninguém. Porque o que você sonhou NEM AO MENOS ACONTECEU, NEM AO MENOS EXISTE.
  • Mas tem gente que posta coisas ainda mais INÚTEIS que sonho. Tem gente que fica postando que ela PENSAVA quando era criança, o que ela IMAGINA quando era adolescente.
  • PQP, gente, o que pode interessar, pra que pode servir, um PENSAMENTO que alguém teve há vinte anos? WHO FUCKING CARES?!?!?!?

Mas no reality show das redes sociais, é isso. As pessoas querem atenção. Querem ser vistas. Querem ser reconhecidas. Querem ser notadas. Querem ter amigos. Querem que os outros falem com ela. E ela não tem assunto. Ela não tem repertório. Nâo tem mais do que falar, mas quer continuar falando. E aí acontece a mesma coisa que acontece em qualquer reality show de qualquer emissora. Do mundo: a pessoa começa a falar de si sem parar. Fala de coisas fisiológicas, de seu xixi, do seu cocô. Teve uma edição do BBB (1) que aquela namorada de um DJ, a Estela, ficou descrevendo em detalhes sobre uma pessoa que tinha _____ (não tenho nem coragem de postar porque é MUITO nojento, se quiser saber por curiosidade, clique aqui). Outros falam sobre prisão de ventre.

Ninguém faz brincadeiras sobre filmes, nem comenta sobre livros, nem discutem ideologias. Nem mesmo música. As pessoas não têm repertório suficiente pra conversas, então falam de si e dos outros. Só falam de pessoas. Delas e das pessoas a sua volta.

E quando acabam as HISTÓRIAS elas começam a falar sobre seus sonhos, seus pensamentos e sobre qualquer coisa que tenha passado pela sua cabeça, seja um ideia ou uma lêndea.

Eu acho isso muito triste. Não acho errado, não acho inferior, acho triste.

Porque todo mundo, repito, todo mundo tem algo legal pra ensinar. Um serviço pra prestar. Todo mundo deve saber uma receita de sanduíche, um suco que já fez, já deve ter descoberto um jeito legal de prender a blusa na calcinha pra não sair pra fora da calça, uma forma de não borrar as unhas depois da manicure. QUALQUER técnica. Como ver se o óleo já está quente para fritar batata usando um palito de fósforo. Como tingir o cabelo com água de casca de cebola. ANYTHING que possa servir pra alguém

Mas, não. Porque o grosso da população online não está lá para aprender porra nenhuma e muito menos ensinar. Está lá para ser notado. Para fazer sucesso. Para achar que é invejável. Para xingar os outros de recalcado. Para polemizar e virar hype. Para alimentar o ego. Não é TAMBÉM Para alimentar o ego, mas SÓ para isso.

Essas mesmas pessoas que acusam o outro de ‘não ter uma pia de louça pra lavar’, que acham que qualquer experiência criativa é ‘falta de serviço’ não oferece nada, NADA para a humanidade. Nem um… FUNK que seja. É zero em cima de zero. Ou zero abaixo de zero. It’s zero all the way down!

Por isso, quando entram no blog para reclamar de algo que estou fazendo, ignoro. Porque estar fazendo alguma coisa, ainda que seja entretenimento fútil, é melhor do que entrar na Internet só para destruir.

Eu queria muito saber se essas pessoas que não fazem nada por ninguém, que não produzem coisa nenhuma, que não têm uma INFORMAÇÃO RELEVANTE para oferecer pro universo, têm consciência de seu estado de nulidade. Acho que não. Não têm consciência de nada. Ainda estão na fila de espera para pegar a senha que eventualmente as levará para a pré-consulta que averiguará se eles podem se tornar seres humanos. Estão só fazendo volume, matando tempo, policiando para que ninguém seja feliz sem pagar um pedágio.

Adoro este blog, porque aqui encontro pessoas que, basicamente, compartilham coisas importantes. Como palavras de amor, correções de texto, links maravilhosos, sugestões e ideias, endereços e livros. Pessoas que complementam informações, que levantam outras, que trocam afetos, arquivos, imagens e coisas que fazem bem aos outros. Aqui ainda é um lugar que me dá prazer de estar, mesmo que de vez em quando entre um hater vociferando seu ódio ao universo.

Aqui ainda é um lugar onde se presta serviço.
Nem que seja só pra avisar que tem uma lua linda lá fora.