Comentários baratos

ANIVERSÁRIO
Foi bom pra mim. Não tenho como agradecer. Milhares de votos de parabéns, felicidade, saúde. Chocolate da turma da Smart. Camisa da Raquel. Relógio dos filhos. Uma corrente de ouro do Marido. Uma jóia da sogra. Muitos presentes pessoais da mamãe. Um vídeo fofo do @fans_rosana. Emails, tweets, tantos mimos. Estou pensando em fazer aniversário duas vezes por ano..

HOSPITALIDADE
Brasileiro é bonzinho. E acolhedor. Nos anos 80 convidou Divine Brown, prostituta com quem o ator Hugh Grant foi flagrado durante sexo oral, para fazer um comercial de TV.  Agora é a vez da modelo Larissa Riquelme, convidada para posar para a Playboy e reverenciada como estrela internacional. A mídia brasileira adora novos inputs.

BURRICE
Design, ergonomia, funcionalidade são alguns ítens que deveriam estar presentes em todos os produtos. Não é o caso de alguns cintos de segurança de automóveis nacionais. Acabei de pegar um táxi e me machuquei com os dois pontos de suporte para fechar o cinto de segurança (foto). Você entra no táxi com pressa, num dia de chuva, com pressa. Abre a porta do passageiro e, quando vai sentar. machuca a coxa com esse dois dispositivos de plástico rígido, sem flexibilidade. Não dá nem pra sentar direito no banco.

UTOPIA
Quem vê Caras não vê que horas são. O trocadilho é ruim? A realidade é pior. Ontem, milhões de pessoas ficaram chocadas ou decepcionadas com o fim do casamento entre Cláudia Raia e Edson Celulari. Não entendo o motivo da surpresa. Fabíola Reipert conta hoje em seu blog que o casal não vivia junto há um ano. Sem hipocrisia: em matéria de relacionamento tem de tudo. Casamento de fachada, por interesse, casamento de conveniência, casamento para manter as aparências. Eu ainda sonho com um mundo em que todos possam assumir tudo, tudo mesmo, sem choque pra ninguém. O mundo só vai ser um bom lugar quando todo mundo tiver o direito de ser o que é, do jeito que é, sem sofrer pressão social por causa disso.

DEMITIDOS
Maradona não é mais técnico da Seleção Argentina. Já pode ir pro bar tomar todas com Dunga pra esquecer o passado. E a derrota.

MANO LEIFERT
OK, não é novidade. Mutia gente já notou que Mano Menezes é a cara do Tiago Leifert. Mas essa foto que estava na capa do R7 deixa isso claro. É o próprio mano mais velho do Tiago.

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Spin mental

(O texto abaixo foi publicado originalmente no Querido Leitor em dezembro de 2008. Reencontrei-o agora e deu vontade de republicá-lo Aqui vai. )

Cada um tem sua cabeça, cada cabeça tem um funcionamento, cada um alinha seus spins mentais de acordo com os campos dos seus sentimentos.
Tem gente que só pensa em dinheiro, em valores, em riqueza. Tem gente que é patologicamente curiosa. Tem gente que implica com tudo. Tem gente que é divertida. Tem gente que é um amor.
Quem tem blog, página no Orkut, site, sabe a aventura que é publicar textos e receber respostas.
Você posta uma coisa simples e corriqueira como ‘comprei um lindo buquê de flores’ e cada um comenta de acordo com sua personalidade, como estas respostas de ficção que inventei a título de ilustração.

O GANANCIOSO:- Nossa! Deve ter custado uma fortuna!

O CURIOSO:- E pra quem era?

O HIPOCONDRÍACO:- Sou alérgico a flores!

O INVEJOSO:- Tá podendo, hein…!

O DETALHISTA:- Rosas ou flores do campo?

O COMPLEXADO:- Humpf! Comprar flores é coisa de madame!

O IMPLICANTE: – Esse blog já foi melhor! O que isso interessa para o mundo?

O AZEDO: -Com tanta criança passando fome você gasta dinheiro com flores! Vergonha!

O AMARGO: – Pra mim ninguém dá flores….

O ÁCIDO: – É pro túmulo de quem?

O CHATO: – Então você comprou um pleonasmo porque se é buquê só pode ser de flores…

O AMIGÃO: – Puxa! Que legal! Manda o endereço da loja, o tipo de flor e o preço? Quero comprar também!

O INTERESSADO: -Posta a foto!

O ENCICLOPÉDICO: -Originalmente buquê é grafado como ‘bouquet’, em francês e significa ‘pequeno bosque’. Seria melhor você escrever ‘ramalhete’.

O DELIRANTE: -A blogueira deve ter falado mal de alguém, tomou um toco, está se sentindo culpada e agora vai mandar florzinha pra inimiga! Tomara que ela jogue as flores de volta na cara dela!!!

O DIVERTIDO: -E como você vai mandar as flores pra mim se você não tem meu endereço? kkkkkk!

O FILOSÓFICO: – Comprar flores é sempre um gesto de amor…

O COINCIDENTE: -Não acredito? Sério? Eu acabei de comprar um lindo buquê de flores também!

O EXIGENTE: -Acho uma falta de respeito você não dar informações precisas a seus ‘queridos’ leitores. Como jornalista você deveria dizer  quantas e quais flores comprou, quanto pagou e colocar o link da empresa que vendeu. É o mínimo.

O CONSELHEIRO: -Rô, não fala que você comprou flores porque as pessoas vão achar você frívola, arrogante e exibida. Não precisa publicar este comentário, tá? Beijo.

O DESAFETO: -Tomara que sejam rosas e você se espete nos espinhos!

O EMPREENDEDOR: -Sou dono de uma floricultura! Da próxima vez compra na minha!

O TÍMIDO:-Não costumo comentar mas adoro flores por isso resolvi dar um ‘oi’. Oi.

A POBRE DE ESPÍRITO:- Buquê de flores? Nossa, que brega!

O ANÔNIMO: -Tomara que murche logo.

O OPORTUNISTA: -Veja um post sobre flores muito melhor que esse em http://visitemeublog.porfavor.com.br

O NEURÓTICO: – Jabá?

O IMAGINATIVO: – Homenagem a Geraldo Vandré? ‘Pra não dizer que não falei de flores?’

Comentários

Hoje eu pedi para ver uma estatística do blog, o número de leitores de um post. Eu queria fazer uma espécie de proporção, entre as pessoas que lêem um post e comentam nele.

O post era sobre o Danilo Gentili. Trinta e oito (38) pessoas comentaram. O post foi lido por 5103 pessoas. Ou seja, de cada 134 leitores deste post, uma comentou.

Dependendo da natureza do post, há mais ou menos comentários, mais ou menos visitas. Mas é sempre bom entender o que mobiliza as pessoas. No momento, a conclusão é óbvia: barracos, brigas, envolvendo celebridades e acidentes graves.

Comentários moderados, sim!

Post do blog Silenzio
Imagem do Post do blog Silenzio

O blogueiro faz um post sobre uma briga num colégio. Uma pessoa entra e, anonimamente, comenta. Comenta, ataca, critica, xinga, faz tudo aquilo que não faria com seu nome, sobrenome, endereço no mundo real e do email. Mas faz. O blogueiro deixa o comentário lá. Publica-o, aprova-o. O comentário passa a ser público, como qualquer outra página na Internet, ao alcance do mundo.  A pessoa que o comentarista anônimo ofendeu, a diretora da escola, entra com um processo por danos morais. Contra O BLOGUEIRO. Não contra o comentarista anônimo, mas contra O BLOGUEIRO.

O blogueiro não sabe de nada. O tempo passa. A ação é julgada. E, de repente, vem um aviso de PENHORA de BENS do blogueiro.

Tem cabimento? Não tem, mas aconteceu.

O blogueiro é o Emilio Moreno, de Fortaleza. E a história toda está aqui, no blog Silenzio.

E é por isso, amiguinhos, que todo blogueiro que ama seu pescoço, seu blog, sua vida, seus bens, modera comentários em seu blog. Quem não entende sai gritando “censura! tirania”, e etc. Porém, perante a LEI brasileira, por enquanto pelo menos, quem torna o comentário público é a pessoa que aperta o botão de aprovação do comentário, mesmo que seja um comentarista anônimo. Tanto faz, aos olhos da lei. Se o comentário ficar retido, numa caixa, ele não é público. Não tem endereço na Web, não pode ser lido de forma aberta. Se o comentário for aprovado, o responsável pela publicação é que toma o processo e não o autor.

Eu sei, não faz sentido. A pessoa ofendida deveria pegar um advogado, pedir os DADOS de log do usuário que a ofendeu, entrar com um processo de quebra de sigilo do provedor de acesso e, finalmente, pegar os dados do ofensor.

Acontece que… a LEI NÃO OBRIGA a provedora/operadora a GUARDAR os logs de acesso. O comitê gestor apenas RECOMENDA que os logs sejam guardados. E..adivinha? Elas apagam tudo. Por isso não se consegue processar o autor. Porque apagam os logs. Entendeu como é? O comentarista anônimo escapa ileso, porque sua parceira, a provedora, apaga seus registros. E o blogueiro, que vive na luz, tem nome, identidade e oferece LIBERDADE é punido.

Achou bonito? Não? Nem eu.
Portanto, comentários moderados. Quer escrever, xingar, escondidinho no cantinho do seu medo? Manda bala. Vai ficar lá na caixinha de spam, junto com tudo o que é filtrado. Ofensas, palavrões cabeludos, tentativa de propaganda, offtopics sem sentido e tudo mais.

Em terra de justiça online cega, quem tem filtro de moderação é rei.

Akismet

O sistema wordpress de blogs é muito bom. Mas, como tudo, precisa de ajustes. Há alguns dias, deu um problema no meu blog, no sistema de comentários. Spams apareciam aos montes e dificultavam a leitura e aprovação dos comentários. Foram mais de mil mensagens de spam em inglês. Duro apagar tudo um por um, já que os textos aleatórios não tinham palavras em comum para filtrar.

Depois, o sistema de spam começou a botar comentários bons na pasta de spam. Perdi vários comentários com isso.

Agora, o Akismet está funcionando. Mas palavrões, ofensas passíveis de crime, não são admitidas. Infelizmente, por causa de alguns, muitos sofrem. Os moderadores também. Tem gente tão desagradável, ladrões de paciência alheia, que tentam passar ofensas e palavrões até nos emails que inventam.

Vida dura de moderador, viu!

A vida, o mundo, as pessoas, a Internet e tudo mais

O assunto é delicado. De-li-ca-do. Eis uma palavra fácil de ser escrita. Ninguém erra. Mas vamos falar um pouco disso, de errar. No sentido ortográfico. Or-to-grá-fi-co. Ainda tem acento? Deve ter. É proparoxítona. Aliás, a palavra proparoxítona é autológica, ou seja, proparoxítona é proparoxítona, ao contrário de átona, que não é átona e, portanto, é heterológica. E vamos parar com essa loucura porque já é quase noite e o cérebro já está acordado há um bom tempo.

Meu trabalho aqui no R7 é vasto, abrangente e intenso. E olha que eu trabalho menos do que o pessoal que dá plantão, inclusive nos finais de semana. O que eu faço? Eu crio produtos de interface entre portal e TV, participo do grupo que cuida das redes sociais, faço o Querido Leitor, ajudo no pool que cuida dos blogs como um todo e, quando sobra um tempo, vou ler os comentários dos internautas. E quando eu digo comentários, eu digo … dezenas de milhares de comentários. Só eu, apenas eu, euzinha, já li mais d e… 20 mil comentários em quatro dias. Não estou brincando. Descobri muito sobre o mundo, a vida, as pessoas, os internautas, os fãs, os leitores e, confesso, tem sido um banho de aprendizado.

Aprendi, por exemplo, que não devo nem ao menos citar exemplos. Porque se eu copiar aqui o pior erro do mundo em termos de língua portuguesa, alguém vai aparecer defendendo o direito da pessoa que cometeu o erro. Vai dizer que é errado eu trabalhar num portal e falar mal de um usuário que entrou no blog e nos deu hits. (Fato. Mesmo quem xinga dá audiência). Sempre vai ter alguém para defender o erro alheio. Sempre vai ter alguém para discordar, mesmo que o argumento não faça nenhum sentido, porque algumas pessoas precisam discordar de tudo.

Se um blogueiro publicar algo como “a água é molhada” ele vai receber críticas que vão desde “isso já foi publicado ontem e só você não sabia, seu burro atrasado” até frases como “a água é molhada aí na tua casa, mula,porque na minha é sequinha que só! kkkkk”. Falar sobre isso é… chover no molhado.

Alguns discordam de tudo, outros concordam com tudo, outros apenas zoam das coisas. Há os que não sabem o que querem, não entendem o que dizem. E, claro, há pessoas incríveis, lúcidas, sagazes, que percebem até mesmo as mais estreitas entrelinhas. Esses, eu tenho vontade de abraçar. Gente atenta é o máximo.

Os erros de português, no entanto, são desprezíveis se comparados à riqueza que é este contato com os internautas em geral. Sim, porque os visitantes que passam por um portal, passam por todos. Ninguém navega em um mesmo site ou blog, todo mundo vai pra todo lugar. É o mar. É a navegação. É a vida. As pessoas estão sempre em movimento na rede. No máximo você pula de uma página pra outra, volta, mas estamos todos sempre em trânsito. Abelhas polinizando mídias, de blog em blog, de site em site, num vai e vem, num leva e traz, um zum-zum-zum de informações.

Neste sentido os comentários são demonstrações do estado de espírito das pessoas. Não como elas são, mas como elas estão se sentindo naquele momento. Se estão iradas, calmas, felizes, ansiosas, satisfeitas, irônicas, tensas. Em geral, as pessoas reagem de acordo com o que leem em cada blog.

Vou dar um exemplo. No blog do Dado Dolabella, as palavras são ‘felicidade’, ‘te amo’, ‘boa sorte’, ‘casamento’, ‘bebê’.As reações são de afeto. No blog do Théo Becker, todo mundo diz ‘iuhuuu rock and roll’, ‘esse é irmão desse’, ‘maluco’, ‘doido’ etc. e tal. O blog da Chris Flores é todo leve, amoroso, cheio de elogios. As pessoas AMAM o programa. Em cerca de uma semana o blog recebeu mais de dez mil comentários.

O blog do Britto Jr. tem comentários sobre A Fazenda, ele, cidadania, filosofia. No blog da Fabíola Reipert há um fenômeno diferente. As pessoas chegam lá com a adrenalina a mil. O ‘mood’ é intenso, passional, porque ela fala sobre televisão. A televisão no Brasil é, de longe, o maior assunto de todos. Eu não saberia medir, mas acho que muita gente passa metade do dia vendo TV e a outra metade comentando sobre TV e sobre as pessoas que aparecem na tela. A televisão é assunto de todo mundo. Como se o tema fosse descendo do alto da pirâmide, desde o Olimpo da TV, passando pelos rádios, pelas revistas, jornais, Internet e, finalmente, ganhando as conversas nos bares, no trabalho, nas ruas. Entre o céu e a terra, naquele espaço onde residem os mistérios que nossa filosofia vã não é capaz de supor.

Num salão de beleza (fui hoje) você vê gente assistindo TV, lendo a Caras e falando dos famosos.

Eu também falo, não tem nada de errado. Eu trabalho nesse meio há tanto tempo que já nem me lembro de quando não era assim. Só sei que, apesar de tudo, tenho conseguido entender um pouco melhor o ser humano. Não muito, mas um pouquinho.

Já é um bom começo.

PS – Não sei como estava seu estado de espírito quando você entrou aqui. Tomara que você saia melhor do que chegou. 🙂 Hope so.