O problema do Big Brother Brasil

Começa hoje, em janeiro de 2012, com doze participantes, a versão número doze do Big Brother Brasil. PQP, uma dúzia de vezes. Caraca, como diriam ex-participantes. Entrono Archive.org do Way Back Machine e, como sempre, olho indignada para o tempo que passou desde que cobri a primeira versão do BBB com querida equipe de colaboradores. Ainda dá pra ver muitas e muitas páginas entrando lá.

Nesse momento já posso ver alguém torcendo o nariz e reclamando de mim por estar, mais uma vez, mencionando esta bobagem. Olha, você tem toda razão. Bobagem minha mesmo. Mas preciso falar disso para fazer o post, porque é sobre o PROBLEMA que vejo no Big Brother Brasil, apesar de todo o SUCESSO.

Antes do primeiro BBB, cobri a Casa dos Artistas, como já disse um brazilhão de vezes. E percebi uma coisa muito estranha. Tudo o que dizia respeito à Casa dos Artistas ela bom. Ela legal, feliz, do bem. Alto astral. Fiz amigos como o Braun e a Andréa (queridos!), que cobriam tudo. Não deixávamos um minuto sem comentário. E tudo de graça, só pela paixão de estar fazendo uma coisa nova, com elementos novos para a época, como blog, reality show, pay per view. Conseguimos uma boa projeção profissional, visibilidade na web e até um dinheirinho! O primeiro patrocínio, graças à Ale Felix e sua editora. Enfim, a Casa dos Artistas foi uma experiência enriquecedora em todos os sentidos.

Animados com o resultado, resolvemos cobrir, com mais colaboradores, o Big Brother Brasil. E aí o problema começou.

Se os comentários da Casa dos Artistas eram bacanas, os do BBB eram assustadores. Recebíamos coisas inimagináveis, emails de hate horrorosos. A coisa foi piorando até chegarmos praticamente às ameaças de MORTE. Isso mesmo. Apareciam pessoas da pior espécie, fazendo ameaças reais, falando de lugares que frequentávamos e tudo mais. Dava MEDO de verdade.

Felizmente costumo esquecer alguns detalhes desse calibre e, por isso mesmo, não me lembro quem era ou qual era o nick de um sujeito aterrorizante que se dizia o demônio e valia-se do 666 e outros quetais. Só sei que não era #Brinks. Teve uns lances cabulosos, como diria o Mion. Pensamos em acionar a polícia, inclusive.

Como de costume, achamos que era loucura da cabeça. Continuamos. E tentamos outras vezes. Não era. Havia uma sistemática. Até hoje há. Mexer com o Big Brother traz uma coisa esquisita, pesada, daqueles sentimentos que a gente percebe no corpo antes de achar uma razão lógica para eles. Daqueles que todos duvidam por parecer algo esotérico demais, mas que os envolvidos reconhecem. Tem alguma coisa nefasta no Big Brother. Talvez porque ele seja concebido para gerar ódio, intriga, raiva e outras chagas dos relacionamentos humanos. Porque ele promova privações e extraia o que de pior o ser humano tem. É a proposta original, não?

Todo mundo já deve saber, mas o John de Mol, dono da Endemol e criador do conceito Big Brother, tirou a inspiração do projeto Biosfera2, da NASA.

 

A colpire la fantasia di De Mol, l’ormai celebre e multimiliardario inventore del ”Grande Fratello”, fu l’esperimento Biosfera 2, creato nell’ambito del programma americano per mandare l’uomo su Marte.

I partecipanti dovevano vivere per un lungo periodo (520 i giorni necessari per il viaggio) all’interno di un’enorme struttura posizionata nel deserto dell’Arizona, monitorati 24 ore su 24.

Il progetto falli’ a causa dei litigi e dell’impossibilita’ di ricreare all’interno della struttura una vera e propria biosfera.

Ma da qui nacque l’idea del format, che vide la luce nel 1999, il 16 settembre, e che da allora ha mietuto successi in tutto il mondo.

 

Quer dizer, um projeto que era pra simular as condições de vida confinada com intuito de levar 8 homens e mulheres até  Marte acabou mudando para sempre a televisão no planeta Terra. Parece aqueles experimentos farmacêuticos em busca da cura da calvície e que acabam fazendo sucesso pelo efeito colateral de gerar longas ereções.

O Big Brother, como todos sabem, é um fenômeno mundial. Por causa de tudo aquilo que a gente já sabe, que tanta gente estuda e debate nessas épocas. Não estou tentando compreender as razões do sucesso de audiência, mas apenas relatar esse lado ruim que ele traz à tona.

Se a TV fosse Star Wars, o Big Brother seria o Darth Vader. Se fosse Harry Potter, seria Lord Valdemort. Se fosse a história de Chapeuzinho Vermelho, bingo, acertou. LM.

O Big Brother é o lado perverso da gente, o mesmo que alimenta a fofoca, a maledicência, os adorados ‘baphos’, a intriga, o disse-me-disse. É a língua ferina, o comentário ácido, o barraco. É o nosso olhar tentando ver o acidente na pista, a cena de horror. É humano, claro que é, mas é o dark side da nossa humanidade.

Tem toooda uma teoria de catarse e blá blá blá, que fala da parte saudável dessa prática. É como se fosse uma ‘academia’ para a maldade humana, onde articulamos nossos instintos perversos. Pode ser, não sei.

Só sei que há alguns anos parei de me envolver com o assunto. Toda vez que eu tentava, algo de muito RUIM me acontecia. Eu adoecia. Alguém me ameaçava. Rolava alguma briga com quem se envolvia. Inimigos reapareciam. Alguém próximo morria. Enfim, era SEMPRE assim.

Agora vejo tudo bem de longe. Sei o que se passa, mas não assino pay per view, não acompanho as edições. Eu acompanho as pessoas que estão acompanhando, cobrindo o reality. Acompanho a repercussão na web. Mas não O programa, os participantes. Os inevitáveis e efêmeros fã-clubes de participantes de BBB (oi?).

Sim, dou meus pitacos, entro nos papos, faço um trocadilho besta no Twitter. Faço um post. Mas é tudo de longe, salvaguardando minha vida.

Porque, sério, mesmo sem embasamento científico. Tem um alarme dentro de mim que ao ouvir falar de Big Brother imediatamente dispara e grita, como o robô de Perdidos no Espaço, Perigo! Perigo! Perigo!

Hoje começa a décima segunda versão do Big Brother Brasil.
É hora de morrer um pouco.

Caiu na rede é pato

rafabarbosa

Rafa Barbosa (@rafabarbosa) é um fanfarrão.
Em setembro do ano passado, ele escreveu um post  intitulado “Xuxa Meneghel contrata Tessália Serighelli como consultora de presença on-line”.

Ele juntou dois assuntos, o caso dos erros ortográficos no twitter de Xuxa e as constantes polêmicas associadas à Twittess, e criou um hoax, uma brincadeira. E avisou.  Avisou. No final do texto ele coloca este selo, “ai”, artigo irônico, dizendo: “Você leu um texto irônico. Este aviso representa o nosso comprometimento e transparência diante da sua ignorância.


artigoironico

Pois no afã de pesquisar informações sobre os participantes do BBB10, um jornalista de O Dia, publicou uma nota hoje, neste link,  repassando a história inventada por Rafa Barbosa como se fosse real. Veja o print da nota e o destaque:

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O destaque com a história do Rafa:

destaqueodiaerrado

Pois o site EGO reproduziu a informação creditando-a ao jornal O DIA, numa matéria de hoje:

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Eu não estou falando de um erro de ortografia, não estou implicando com a Xuxa, nem com a Tessália, não estou criticando o EGO, não estou crucificando O DIA.Estou falando de uma exigência básica da produção de informação, checar os dados. (No caso, bastaria ler o aviso que Rafa colocou no final. )

Todo mundo trabalha sob pressão, todo mundo sai correndo atrás de informações para gerar notícias, porque todo mundo quer consumir mais e mais e mais o tempo todo.A esteira de produção de notas dos blogs e sites não pode parar. É a linha industrial da comunicação a todo vapor.

O que eu estou colocando aqui é a FRAGILIDADE do sistema, da estrutura. A FACILIDADE com que um jornalista pode, pela pressa e falta de atenção, interpretar uma brincadeira como uma verdade e gerar uma notícia falsa.

Se existe um lugar onde você precisa ter bom senso e sabedoria é na Internet. A Internet é um ambiente mais complicado do que o seriado do Jack Bauer, 24Horas, onde você nunca sabe em quem pode ou não pode confiar. Você conta um segredo e a pessoa publica seu email na íntegra. Você fecha com senha e alguém hackeia.  Você publica um erro e ele se dissemina.

Tem que ter MUITO DISCERNIMENTO. E isso está faltando para todos nós. Não porque nós não temos capacidade de discernir, mas porque não temos tempo de praticar o esporte. (Estou sendo benevolente, estou tentando encontrar atenuantes, juro.

Fica aí então o resultado da brincadeira do Rafa Barbosa. Ele fisgou dois peixes, EGO e O Dia. Peixes não. Porque caiu em hoax da rede, é pato. E pato com aviso dá direito a mais duas rodadas no jogo da vida. 🙂

#amomuitotudoisso

BBB

Em nenhum outro lugar do mundo o Big Brother continua tão forte como no Brasil. Em nenhum outro lugar do mundo as pessoas assistem tanta novela quanto aqui. O Brasil é um dos países que mais vê televisão. O segmento que mais cresce na mídia impressa são as revistas de fofocas. Tem algo aqui sobre nós, brasileiros.

BBB

Se o objetivo final da Pink não é ganhar um milhão, se o objetivo final do moço que não saiu nos paredões não é ganhar um milhão, então, o que eles estão fazendo neste jogo de ganhar um milhão? Ou eles só querem ‘aparecer na globo e fazer sucesso na televisão?’. Ora ora ora…vejam só!

PS – O fato da moça Pink estar de pink com a gravata da foto de divulgação antes dela entrar, quer dizer que ela vai sair?

PS2 – A histeria dos participantes é uma reação normal ao confinamento televisado ou é privilégio da natureza latina?cucurruuuucucúúúúúú!!!!!!!! palooooooooooooooma blancaaaaaaaaaaaaaaaa!

PS3 – Esse Giuliano é um Frota de olhos azuis?

 

BBB

Li em algum lugar da Folha (era na Folha? Acho que era, na Ilustrada online) que o Big Brother Brasil estará no ar pelo menos até 2007. Giovanni, meu sócio, teve uma grande idéia mas seria necessário que o programa continuasse por mais tempo: fazer uma edição BBB Champs, só com os campeões das edições anteriores.

Por falar em grandes idéias e campeõs, já percebeu como, subitamente, todo mundo virou escritor, redator e humorista? Todo mundo quer ser engraçado, na tv e na web, todo mundo. Até os editores mais sérios aderiram às abobrinhas.

Ou muito me engano ou descobriram que “Funny means Money”, como disse o personagem de Dani de Vitto no filme Anything Else do Woodey Allen.

E se ‘funny’ não significar ‘money’, pelo menos a pessoa se diverte.