Vira, vira, vira e… virá!!

Virá! Um ano novo, um mundo novo, uma nova carga de energia, um tanque cheio com autonomia pra 365 dias de vida! Pra lubrificar o motor, fé. Prá adivitar a gasolina, coragem. Pra dar aquele trato nas engranagens, graça! Paz nas relações humanas, paciência, pra aguentar as provações do mundo e amor, sempre amor, para fazer da vida a melhor viagem! Feliz 2005!

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Praia e preguiça

Praia dá preguiça, é fato. Mas preguiça é privilégio de quem produz gametas de dois tipos. Quem só produz cromossomo X alterna praia com pia e depois da areia, vai pra cozinha arear as panelas. Sabe, ‘arear’ vem daí mesmo, de lavar as panelas com areia na beira do rio. Acabei de sair da mesa e conquistei o direito de ir ao supermercado comprar sorvete pra todo mundo.
Por isso, adoro quando homem diz que trabalha muito. Para os homens só tem o trabalho formal. Depois, é só descanso. Mulher trabalha dentro de casa, fora de casa e onde quer que esteja. Mulher não pára de trabalhar um momento sequer, é impressionante. Acho que começo a entender porque tanta mulher enche a cara de cerveja, batida de maracujá, côco e cajú na praia. Porque bêbado não pode realizar nenhuma tarefa!
Saúde!

Quinze minutinhos

Nunca entendi as apresentadoras tatibitate que dizem ‘quinze minutinhos’, ‘alguns quilinhos’ e outras coisinhas. Mas tudo bem, cada pessoinha é de um jeitinho. Na verdade, já está na hora da são silvestre masculina, já que estou tentando conectar há quinze minutos sem sucesso.
Fiz um almoço natureba bicho-grilho, com arroz integral com amendoim e gergelim torrado, carne de soja com cebola e salada de acelga. E dois imensos pratos de frutas, compostos por cores, banana, kiwi, manga e morangos em um prato e melão, maçã verde, mexerica e ameixas em outro. Tudo com granola, evidentemente. Me deu vontade de deitar na rede com meu colar de miçangas.
Quem sabe assim eu consigo digerir o fato de um locutor de rádio ter dito que os corredores eram do CuÊnia, ao invés de Quenia. Fiquei com o cuênia atravessado na garganta.

Havaiana X Ipanema

Na fila do mercado, um monte de gente com caixas de havaianas, na cor branca. Vai falar havaians brancas pra todo mundo. Já tinha a minha, comprada há alguns meses. Algumas mulheres chegam, pedem, não encontram e torcem o nariz pras Ipanemas penduradas. Nem com Gisele de garota propaganda a Ipanema decolou. Havaianas, virou orgulho nacional. Merece.Um dia a gente incorpora o hawaii e pronto.Ficam tudo em casa.

Papo de praia

No mar, um garotinho de quatro ou cinco anos, rebocado pela irmã adolescente na prancha, implora:

– Não vai me levar no tsunami!!

Mundo globalizado, informação em tempo real. Até na desgraça se aprende.

Na barraca ao lado, uma adolescente linda, uma família chata, uma tia insuportável. A mulher falando alto, tentando seduzir a amiga a fazer uma cirurgia pra botar peito junto com ela, a evolução natural depois das amigas que vão ao banheiro juntas.

-“Vamo’ botá’ peito, vamo? Ah, vamo juntas! Ah, eu vou. Eu vou botar peito em março, antes de ir pra Itália. Eu não vou pra Itália sem peito. Daí eu arrumo um marido italiano. Se não arrumar assim, nunca mais.”

Elas não querem peito, elas querem marido. Marido ideal, príncipe encantando, o italiano lindo, moreno, rico, montado num cavalo. Acabam sempre só com o cavalo. Triste isso.

Triste como ter que sair da praia pra voltar pra casa, só pra tirar o pernil que estava descongelando no sol. Antes que ele cozinhe pro almoço ao invés da ceia…

 

Cena

Aqui estou eu, num laptop plugado, sobre uma escrivaninha velha, ao lado de uma lata de repelente para mosquito e dois chicletes ploc que foram mergulhar  no mar, sobre os quais alguém sentou em cima. Vou para a praia ler. Está difícil de terminar o Saramago. Não combina com a areia. Mas vamos lá. Sem sol é melhor.