Psy, do hit “Gangnam Style” no Rio e em Salvador

É oficial! Psy, do hit “Gangnam Style”, se apresentará no Rio e em Salvador > Música | Omelete.

E vamos começar tudo de novo, Sexy Lady! ahahah

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Meu dia a dia no Twitter é assim. E o seu?

Comecei o dia pegando um táxi porque é dia do rodízio do meu carro e eu tinha que chegar no Hoje em Dia às 9. Dentro do táxi percebi que meu celular ficou em casa. E tweetei.

Recebi um comentário-padrão da voz representativa do lumpemproletariado atacando a burguesia, o famoso ‘classe média sofre’.

Fui pra o estúdio, com Fábio Arruda e Lelê. Tweetamos de lá. Sempre um exercício de comunicação.

Voltei pra minha mesa no R7 e recebi:

1. Um pedido de apoio para uma manifestação contra esta charge inoportuna e desagradável:

https://twitter.com/NinaDalmaso/status/296252333946449920

2. Um pedido de ‘forcinha’ para alguém que está em busca de reconhecimento do seu talento.

3. Uma notícia quentíssima via Victor Calazans sobre o perfil fictício Irmã Zuleide que usou a foto de uma professora de Campinas.

4. Uma denúncia de vazamento de um suposto roteiro da minissérie José do Egito

E, claro, tem o Belo e a Gracyanne despejados, finesse pura.

Agora, com licença que eu tenho um almoço de trabalho e depois, gravação.

A tragédia de Santa Maria e a pergunta que fica: de que lado você está?

Domingo de manhã, na hora do café, quando soube do incêndio na boate Kiss em Santa Maria, comecei a chorar e a pensar e a sentir e a lamentar e a refletir e não consigo parar desde então. Como tanta gente no Brasil e no mundo, meus olhos se voltam para os jovens que morreram, meu coração se despedaça com os depoimentos dos pais e parentes que ficaram, meu espírito se agita com o medo de que coisas assim possam voltar a acontecer. É uma carga intensa demais de dor para a gente administrar, um sofrimento que não cabe. A gente tem que falar, compartilhar, lamentar e vivenciar esse rito doloroso, para que ele se incorpore. Por fim, para que a gente se conforme e aceite tamanha tragédia, é preciso tirar alguma coisa, uma lição, um aprendizado, que fique ao menos como uma homenagem a tantas vidas perdidas.

E é aí que começa a reflexão sobre você, eu, todos nós, especialmente nessa era de redes onde nosso pensamento coletivo e o comportamento social delata o estado de alma em que estamos.

Estamos confusos, isso é certo.

Se um dia tivemos valores dados pelo senso comum, pelos avós e antepassados, todos nascidos num mundo mais pacato que o atual, perdemos boa parte deles. O respeito pelos mais velhos, dar lugar para mulheres grávidas no transporte público, não roubar, não falar mal dos vizinhos, não jogar lixo na rua, são apenas os exemplos mais corriqueiros de ensinamentos que se perderam nas confusas estruturas sociais e, pior, tornaram-se’ coisa de babaca’.

A Lei de Gérson não apenas nos definiu, como ‘pegou’ e não há meio de revogá-la.  Sobre nossa natureza do jeitinho nacional, somou-se a Gersonificação da vantagem individual, potencializada pela opinião coletiva de que ser certinho é ser idiota e uncool.

A situação de momento no Brasil (e não falo do mundo porque não tenho autoridade ou vivência pra falar de outros paises) é assim:

 

1. Todo mundo que faz tudo certinho, que obedece à lei, que não transgride e não se corrompe  é xingado e apontado como babaca, caga-regras,  pela maioria conivente e tolerante com tudo o que é  errado e corrupto

2. Na hora que dá alguma merda, a mesma  maioria conivente e tolerante com o errado e corrupto  posa de certinha e aponta dedos para todos os que erraram, com ou sem dolo, em busca de crucificação e linchamento público dos envolvidos para expiar a própria culpa da conivência e tolerância com o errado durante uma vida.

Vamos olhar a tragédia insuportável que estamos vivendo.

Os especialistas em acidentes de avião dizem sempre que toda tragédia é uma sucessão de erros, não é uma coisa isolada. Sim, tem algo que começa, um gatilho que dispara, mas a reação em cadeia que leva a perdas de vidas só acontece porque tem uma ~massa crítica~ de erros no caminho. E, muitas vezes, nossa leitura dos fatos também é imprecisa. Exemplo? Todo mundo acha que muitos carros batem nos postes. E aí começam a elaborar teorias sobre ‘a atração entre postes e carros’, como se um poste inanimado tivesse um magnetismo que leva os carros a baterem nele. Não, né. A gente vê muitos carros batidos em árvores, postes e muros, porque dentro TODOS os carros que se acidentem, ou quase se acidentam, todos os que não deram PT ou não chegaram a bater, foram embora. Os que ficam são aqueles que encontraram um anteparo, bateram e, por isso ficaram parados lá. Aí a gente vê os que ficaram parados e tira conclusão do todo pelas ocorrências em particular.

Pois bem. O bom senso nos diz que acender fogos de artifício em lugares fechados não faz sentido. Fogos de artifício já não fazem muito sentido nem do lado de fora, embora sejam lindos. Mas indoor realmente não parece ser sensato. Só que MUITA gente faz. E MUITA gente aceita. E acha normal. E acha OK. E acha bonito. E só quando acontece uma tragédia é que vai apontar dedos para quem o fez.

As mesmas pessoas que querem crucificar o garoto da banda que acendeu o sinalizador, muito provavelmente até OUTRO DIA não se importavam com o fato e nem tomaram nenhuma atitude para impedir que isso acontecesse.

O material da boate era todo inflamável, ao que parece. Assim como são feitas tantas casas noturnas, fantasias de carnaval, barracões de escolas de samba e tudo mais. Se está tudo errado e é perigoso, temos que fiscalizar e multar e obrigar todo mundo a fazer certo. Mas, você percebe que nós, como sociedade, somos os mesmos que culpamos todo mundo depois e não cobramos nada antes?

E os seguranças da boate? Bom, eu não sei o que aconteceu de fato. Mas, o que é que faz um segurança da boate? Ele cuida da segurança do usuário ou da boate? Bom, em tese, ele cuida da boate primeiro, impedindo que pessoas saiam sem pagar, que não tumultuem ou criem problemas. E cuidam para que o usuário se comporte dentro do esperado. Eu nem sei se teve algum segurança morto no incêndio, mas pelo que entendi, foi tudo tão rápido e o lugar era tão labiríntico,  que levou um tempo até que os seguranças entendessem o que estava acontecendo.

As portas de emergência fechadas, isso realmente não tem explicação. Se a porta é de e para emergências, o que adianta tê-las se na hora da emergências elas estão trancadas?

E tem o alvará vencido, os extintores que supostamente não funcionaram. Tanta coisa irregular. Errada, criminosa. Mas a gente só vai enxergar isso lá e agora? Por que você não vai olhar o extintor de incêndio do seu carro, do seu prédio, do seu trabalho pra ver se ele tem espuma dentro, se funciona, se serve pra alguma coisa?

É, querido leitor, é tudo muito chocante e doloroso. Desabei em vários momentos, como as ligações perdidas dos pais e mães nos celulares dos jovens mortos, o pai que perdeu duas filhas no mesmo incêndio, os caminhões frigoríficos usados para empilhar e transportar corpos que horas antes eram jovens cheios de futuro e de vida. Mas até essa dor não impede que eu enxergue a hipocrisia na qual estamos todos mergulhados como sociedade.

Claro que existem responsáveis, claro que é preciso apurar tudo, que não podemos apenas dizer ‘ah, aconteceu’. Mas até nessa hora é preciso ter bom senso para esperar resultados, compreender, sem sair crucificando tudo e todos. Tem gente que culpa até as vítimas, até os que correram pra se salvar.

Porque, repito, neste texto longo, catártico, que tenta dar conta do silêncio de dias no blog com essa verborragia   interminável, as pessoas que apontam culpados a torto e a direita agora, cobrando perfeição e lisura de tudo e de todos são as MESMAS que transgridem, que corrompem, que toleram o erro, que são coniventes com a corrupção pequena que os beneficia. Essas pessoas somos nós, os brasileiros.

E mais, os brasileiros, quando se deparam com alguém que faz tudo certo, OFENDEM essa pessoa. A pessoa que faz tudo pela lei é maltratada e temida, porque ela esfrega a corrupção alheia na cara da sociedade. E, nossa sociedade endemicamente corrompida, que expulsar todo elemento perigoso a essa rede implantada de pequenas contravenções, porque ele nos expõe.

É hora de parar e pensar com nossa consciência o que realmente somos. Se pagamos o guarda para liberar a multa, se pagamos o despachante pra comprar a carta, pra passar no exame, se pedimos ao contador para alterar o imposto de renda, se não declaramos os bens que temos, se compramos drogas do traficante, se baixamos torrentz sem pagar, se também fazemos incontáveis irregularidades (muitas vezes porque a lei é mesmo burra e o mercado injusto) sem LUTARMOS para que as coisas sejam certas, temos que ter a decência de, PELO MENOS não apontar culpados que não são melhores nem piores do que nós.

Diante do que é certo, você tem que escolher o lado em que vai ficar.
Mesmo que você ao longo da vida mude lado.
Mesmo que você tenha que pedir ajuda para decidir o seu lado.

Só não dá é pra ficar do lado onde tantos tentam ficar, do lado de fora.
Assistindo tudo de camarote, no conforto de sua cadeira diante das telas vivas das redes, apontando culpados sem conhecimento, condenando sem julgamento, criticando obras prontas, ofendendo os que têm boa intenção, difamando os que agem de forma correta. Pulhas que ficam sempre do lado de fora, apoiados em seus provérbios vencidos, em seus valores escusos, em seus dogmas mal interpretados, usando a razão como advogada de sua crueldade.

Você precisa escolher o lado que vai ficar.
E não ter medo de mudar de lado se o coração mandar.
Porque cobrar do outro uma perfeição que você não tem é estar do lado de fora da raça humana.

 

 

Como fazer com que o amor continue quando a pasta de dente acaba

 

Cada pessoa tem um jeito. Você tem o seu, eu tenho o meu, meu marido tem o dele. Às vezes a pessoa além de um jeito, tem um ~jeitinho~.

O jeito de ser de cada um tem muitos ingredientes. Alguns atávicos, outros genéticos, culturais, ambientais, adquiridos por contato e tudo mais. E, como em toda lista de ingredientes, tem coisas boas pra saúde e alguns aditivos que deixam a gente de cabelos em pé, tanto no caso de produtos quanto no caso de pessoas.

Meu marido, por exemplo, é muito controlador.

O lado bom é que ele provê tudo que é preciso em casa, cuida bem de todo mundo, é super correto em todos os seus compromissos e não perde um detalhe de nada.  Todo mundo tem defeitos, por isso, o mais sensato é ter uma atividade profissional que se adeque não só às suas virtudes, mas aos seus problemas também. Não é uma maravilha ter, por exemplo, uma dermatologista detalhista?

O lado ruim de ser controlador é que, bem, ele controla tudo. Todo e qualquer detalhe. E exige explicações. A mente dele precisa completar a história para poder funcionar com tranquilidade, como no caso de uma caixinha de fio dental, por exemplo.

Temos duas cubas na mesma pia do banheiro, lado a lado, uma pra cada um. O espaço da direita é das coisas dele, o da esquerda é das minhas e no meio temos as coisas em comum, como pasta de dente e fio dental.

Outro dia tinha 3 caixinhas de fio dental, de tipos diferentes. Escovei os dentes, passei o jato de água e peguei o fio dental antes do bochecho com meu amado Scope. Assim que peguei a caixinha do fio dental e puxei, senti que o fio tinha acabado. O pedaço que veio na mão era pequeno, quase insuficiente para a higiene. Usei aquela tática de enrolar bem e aproveitar ao máximo, mania que adquiri ao longo de mais de trinta anos de economia por força da dureza financeira. Fiz o bochecho e joguei a caixinha no lixo do banheiro. O lixinho do banheiro foi pro lixo master e, no final do dia, já estava no caminhão da prefeitura.

À noite meu marido chegou em casa do trabalho, foi para o banheiro lavar as mãos antes do jantar e sua linda mente controladora tocou o alarme. Duas caixinhas de fio dental?!?!?! WTF? Mas de manhã eram três!

No comando das pernas, a mente de Isaac levou-o até meu encontro na sala de almoço com aquele olhar indignado de quem tem um mistério escabroso para resolver. Ele entrou na sala e atacou:

– Cadê a caixinha de fio dental?

– Tá na pia do banheiro.

– Não, não está. Tem só duas. Hoje de manhã eram três. Tem uma faltando.

– Ah, acabou.

– Como assim ‘acabou’?

– Acabou, não tinha mais fio. Sabe, tipo, tudo acaba, o fio dental, as caixinhas, a vida? Acabou.

– Mas acabou mesmo? Tem certeza?

– Acabou, meu bem. Eu peguei o fim do fio, nem era suficiente pra limpar todos os dentes. Aí eu peguei a caixinha e joguei fora. Meu bem, por que você tá fazendo um big deal dessa história? Acabou, joguei fora, fim da história. Podemos comer?

Ele sentou pra comer, mas era visível sua indignação. Eu sei como funciona. Ele sai, tem 3 caixinhas. Volta e tem só duas. Se eu o conheço bem ele deve ter procurado a 3a. caixinha vazia olhando na lixeirinha do meu espelho. Sabe, não é maldade, é uma coisa da mente controladora da pessoa. Tem uma coisa faltando, ela não viu, ela não se conforma, não aceita.

Eu, por minha vez, sou muito implicante. E não gosto de ter que dar explicações de todos os detalhes da minha vida. E é aí que o amor entra. Porque não é uma questão de lógica, mas de afeto, tolerância e compreensão.

Já entendi como as coisas acontecem e sei que pra que ele seja feliz, ele precisa saber das coisas, precisa aplacar essa ansiedade. E é pra isso que estamos juntos, para sermos felizes.

E foi assim que aprendi como lidar com isso. Agora, quando vou usar o fio dental, verifico se está no final. Se estiver e for acabar na minha vez, eu uso outro. Ou pego só um pedaço, calculando para que termine sempre NA VEZ DELE.

Agora mesmo fui escovar os dentes para sair e vi que a pasta de dentes estava no talo, quase no final. Espremi tudo o que eu pude até pegar aquele restinho de gel azul que costuma cair em todas as minhas roupas. Caiu de novo. Fiquei sem pasta. Fui tentar de novo, não deu. Peguei uma outra pasta, mas não joguei a que estava usada no lixinho. Deixei lá. Sei que quando ele chegar ele vai tentar interrogá-la, torturá-la, até que ela entregue mais um pouquinho de pasta. Não é mesquinharia, é hábito. E, quando ele notar que não tem mais jeito mesmo, ele vai jogá-la no lixo. Assim ele vai saber o final da história e vai arquivar o caso. Porque, pra mente do Isaac, não ter essa informação, não conviver com o término da pasta, do fio, de qualquer coisa, é como ler um livro até o fim e descobrir que alguém arrancou as últimas páginas. Meio que invalida toda a história. Sentia isso quando era estudante e alguém pedia a última mordida do sanduíche. Parece que fica faltando alguma coisa.

Aos poucos, com amor, carinho, compreensão e sem julgamento, vou conversando com ele sobre esses detalhes de personalidade, meus e dele. Hoje já conseguimos andar pela areia da praia e chegar ao outro lado e voltar sem que ele precise tocar a mão numa pedra no final da baía. Antes ele não conseguia. Se a gente resolvesse dar meia volta a alguns metros do paredão, ele corria até as pedras pra ~bater a mão~. Dependendo do meu humor eu vou até lá encostar na pedra, apesar de achar isso uma bobagem sem tamanho. Dependendo do humor dele ele abre mão do ritual.

O que conta, afinal, não é a lógica, mas o amor.
O amor prescinde de bom senso. O amor é absoluto. O amor aceita. Com alegria. E sem reclamar.
Um dia eu chego lá.^
Por enquanto eu só aprendi que sem sentido é viver sem conseguir amar.