Sobre prêmios e tudo mais

Não sei se existe um prêmio totalmente isento neste mundo, um prêmio por puro merecimento. Do Oscar ao Nobel, passando pela Rainha da Festa da Cebola em São João do Pau D’Alho, tudo é uma questão de opinião e interesse. Primeiro que só ganha quem está concorrendo, portanto, a Miss Universo é sempre a mulher mais bonita entre as candidatas, não necessariamente a mulher mais bonita DO Universo. Segundo que as pessoas que julgam os prêmios são seres humanos que, como todos nós, têm suas visões particulares, interesses pessoais, empatias e simpatias. Até o prêmio Nobel não tem categoria em Matemática porque o Nobel tinha um matemático como desafeto e não queria correr o risco de vê-lo premiado (diz a lenda). Sempre foi assim. E aí veio a Internet, com seus robôs votantes, os cookies que podem ser apagados, os emails inventados e as incontáveis traquitanas para votar mais ou menos e botar gente aqui ou ali. Claro, tem também os prêmios sérios.

Na linha do ‘só posso falar do que conheço’, posso garantir que o Prêmio The Bobs do júri da Deutsche Welle é muito sério. Os jurados veem todos os inscritos, fazem uma pré-seleção, defendem os indicados para um júri mundial. E mesmo assim, claro, todo mundo puxa sardinha pro seu país.

Portanto, prêmio é quase como loteria. E você só ganha se estiver participando. E depois que você ganha, todo mundo fica feliz e acha que você merecia mesmo.

Por isso estou aqui pedindo votos, de novo, para um prêmio que nem conheço direito. Fui indicada nem sei por quem. É um tal de Shorty Awards do Twitter. Ele é tão “isento” e “sensato” quanto os fãs. Eu, por exemplo, adoro a Ivete Sangalo, mas acho que votar nela ou na Cláudia Leitte pra categoria tecnologia ou inovação em web é um tanto quanto irreal. No fundo é tudo uma grande brincadeira. E eu também quero brincar.

Estou concorrendo na categoria tech. No momento estou perdendo para um soldado, um latino com cara de galã de churrascaria, um outro Geek. As regras estão aqui e acho que algumas mudaram durante o concurso. Só sei que tem que preencher a frase depois do ‘because’, tem que dar um motivo pra nomear. Tem que votar com uma conta válida do twitter.  Não é a fase de votação final, vem outra encheção de saco depois. Ainda é a nomeação. Os seis primeiros nomeados ficam.

Sei que é um tanto quanto besta e ridículo ficar aqui mendigando votos num prêmio xis, mas agora eu já tô dentro e quero continuar brincando. E vejo aqui uma boa reflexão também. Pedir não é humilhação, mas é um exercício de humildade. É a oportunidade de deixar que o outro faça alguma coisa bacana por você, em vez de você querer ser sempre a pessoa que dá as coisas pros outros.

Acho bem doido ter 10 mil visitantes por dia no blog, 140 mil seguidores no Twitter, 200 colegas no R7 e ter apenas 199 votos até agora. Na minha megalomania eu deveria ter pelo menos uns 500 votos válidos.

Enfim, para votar em mim clique aqui, talvez todos os dias, ou só até 2a. feira. Pelo que o site diz, acaba em janeiro a fase de nomeação.

Para votar:

1. Entre nesse link (e, de preferência, logado no Twitter)

2. Preencha rosana  na categoria tech

3. Complete a frase depois de because, substituindo os … por um motivo, em inglês.

4. Tweet your vote

5. Se quiser, desabilite o ‘follow @shortyawards’ pra não ser obrigado a seguir o perfil do prêmio.

Obrigada.

PS – Ah, sempre que tem paredão, votação a pessoa precisa dar uma justificativa para receber o voto. A minha é simples. Se algum dia eu, meu blog, meu twitter, meus vídeos, qualquer coisa que fiz na vida e na web, teve alguma utilidade pra você, vote em mim. A vida é feita de trocas. Agora estou pedindo. Vote em mim. Obrigada.

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A eleição na era da web

2010 foi um ano histórico para a democracia brasileira. Vivemos a primeira eleição para presidente, governador, senadores e deputados federal e estadual com a participação massiva dos eleitores pela web fixa e móvel, tanto nas redes sociais quanto em todas as outras muitas plataformas de comunicação e expressão.

Uma das grandes novidades foi a série de sabatinas com transmissão transmídia. No R7, por exemplo, tive a oportunidade de ancorar os intervalos desses eventos, com todos os principais candidatos ao primeiro turno para as eleições presidenciais. No estúdio, as sabatinas eram transmitidas ao vivo pelo R7, com retransmissão pela Record News. Nos intervalos, junto com uma grande equipe, ancorei a comunicação com o internauta, lendo comentários, acompanhando perguntas via e-mail, mural e chat, passando serviços. Durante toda a transmissão em áudio e vídeo, a equipe do R7 publicava minuto a minuto todas as falas dos participantes. Depois da emissão ao vivo, tudo ficou em arquivo para acesso posterior do eleitor. O R7 também manteve um blog permanente sobre as eleições, com muito sucesso. Foram meses de trabalho, milhares de notícias e uma abertura para expressão por parte do internauta como nunca se viu antes. Um pequeno passo na interação online, um salto gigantesco para a democracia brasileira.

Foto: Wilton Junior/AE

Além das transmissões dos debates com os principais candidatos pela TV, como o debate acalorado da Rede Record, acompanhamos tudo o tempo todo na Internet e na web móvel. As redes sociais respiraram política. Hashtags sobre candidatos e debates no Twitter, perfis com twibbons demonstrando suas preferências de forma assumida por um ou outro candidato, discussões intensas durante toda a campanha. Há muito tempo eu não via, sentia, tanta mobilização por parte dos eleitores. Me senti nos velhos e bons tempos de movimento político na USP.

No primeiro turno das eleições, uma outra conquista: a apuração dos votos acontecia e o R7 anunciava, tudo praticamente em tempo real. Nunca se viu nada assim. Mapas, infográficos, resultados, comparações, análises, tudo ao alcance do eleitor. Toda a Internet mobilizada, em todas as plataformas. Baixei um aplicativo brasileiro no iPad e, pela primeira vez, pude acompanhar os resultados na TV com o iPad no colo, vendo todas as atualizações disponíveis. Um show de informação.

Essa conquista deve ser muito comemorada. A Internet é o triunfo da transparência, da verdade, do acesso à informação por parte de toda a população. A conclusão feliz é que nessa eleição, o povo saiu ganhando. A democracia online foi eleita por maioria esmagadora.

Veja mais:
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A nossa parte

Sempre que alguma coisa vai mal no Brasil, o que costuma ser frequente, falamos sobre o comportamento do nosso povo. E, nessa hora, nós olhamos o povo como se não fossemos parte dele. Na hora da crítica não somos “nós, o povo”, mas eles.

Pois somos todos responsáveis, direta ou indiretamente, por boa parte da corrupção que contamina a política brasileira, da cueca à meia, passando pelo panetone. Por quê? Por muitos motivos. Começando pela nossa falta de interesse e consciência. Como ouvimos falar de corrupção o tempo todo, achamos que nem vale a pena investir em aprender e conhecer mais sobre os candidatos. Usamos a desculpa de que já são todos corruptos mesmo para justificar nossa preguiça política.

O pior fator, no entanto, está ligado a um dos aspectos positivos da nossa natureza brasileira, o humor. Humor é ótimo, nem precisamos discutir isso. Mas fazer humor e piada na hora errada é tão inadequado quanto usar a pá de lixo pra servir o almoço. Não tem graça votar em corrupto. Não tem graça votar em palhaço. Não tem graça votar em famoso só porque ele canta, dança, pinta, borda ou costura. Só se a pessoa for isso E tiver vocação e vontade política. Acontece que brasileiro gosta de fazer piada até nas urnas. E vota também porque acha “engraçado” ver a pessoa em Brasília.

O problema é que assim como o feitiço volta contra o feiticeiro,o voto humorístico volta em forma de piada sem graça, como agora o caso dos panetones pra crianças carentes,o dinheiro no cano da meia e tudo o mais.

Eu realmente espero que a transparência, a banda larga para todos, o Brasil todo conectado na rede, possa ser uma solução para um país menos corrompido. Menos. Porque a corrupção sempre vai existir em alguma proporção, já que a falta de ética e caráter existe e sempre existirá.

Começa aqui a campanha HumorNaRede: faça humor na vida privada pra não K-gar na urna eletrônica. Porque voto não é brincadeira.

Bom dia.