São Paulo, 01 de outubro de 2001

Direto do bunker, o lugar seguro onde a gente faz as coisas darem certo no caso de tudo mais dar errado.

Sejamos sinceros, nossa vida na web não é nenhum mar de cyber-rosas. De vez em quando a gente pega um vírus, alguma coisa fica incompatível, ou o computador simplesmente tem que ser levado pelo técnico, deixando um buraco no coração com quinze fios pendurados.

Mas é bom, para lembrar que somos nós, os humanos, os senhores dos computadores e nao vice-versa.

Também serve pra ensinar a não criar dependência total dos nossos arquivos passados. A gente tem que estar preparado para sobreviver bem mesmo só com o roupa do corpo e a bagagem na cabeça!

Chega de bobagem,

ao trabalho!

depois eu explico o que acontece…

Rosana

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Ah que bom que você veio akiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!

Querido Leitor,

Alguma coisa deu errado entre as teclas do teclado e o servidor, o roteador, o aspirador, que faz com que as páginas ‘subam’ ao éter e apareçam pirlimpimpinamente na WWW. Simplesmente, a página se recusa a subir, descer, sentar, dar a pata ou fingir de morta. Aliás, minto, fingir de morta é o que ela mais sabe fazer no momento.

Quando tudo dá errado e só o blog funciona, lamento ter escrito tão pequenininho na capa do farofa que neste caso de emergência o jeito é vir pra cá. Mas conto com a visão 20×20 de alguns leitores perceptivos que notam algo de estranho quando o dia de hoje parece com o de ontem, como no meu filme preferido, Feitiço do Tempo, categoria Comédia Romântica com Filosofia.

Tenho estado muito cansada ultimamente e descobri que hoje é apenas quarta-feira. Por outro lado, minha semana será diferente da semana cristã, pois hoje, ao surgir a primeira estrela, começaremos o jejum do Yom Kippur, até a noite de amanhã, quando iremos à sinagoga para ouvir o shofar tocar. Depois disso, um lauto jantar em família no dia do Perdão.

Comecei a perdoar a mim e aos outros antes mesmo da data, porque perdão foi feito pra gente pedir e porque o mundo está precisando de um pouco mais de compreensão.

Quando falo assim, de forma mais séria, sinto que algo em mim vai embora, aquela garotinha de meias três quartos que a Cássia Eller tão bem interpreta na música do Cazuza. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha esperando o ônibus da escola. Caso alguém queira saber, eu era a garotinha de meias brancas e uniforme, com a diferença que desde cedo aprendi a dobrar o cós da cintura para que a saia ficasse mais curta. Alguma coisa a gente sempre aprende na escola.

Escrever aqui é bem diferente, parecido com dormir num quarto de hotel. No Farofa, estou em casa. Aqui, não sei aonde fica a gavetinha do criado mudo e quando acordo à noite, vou pro lado errado em busca do banheiro. Felizmente não estou precisando de nenhum dos dois agora, gaveta ou vaso.

Assim, enquanto espero que aquele algo errado volte a dar certo, deixo aqui meus mais sinceros votos de um bom dia e mais tarde eu volto para ver a situação geral da coisa como um todo!

beijos,

Rosana Hermann

Más notícias exercem fascínio e, ao mesmo tempo, despertam o pior lado de cada um de nós. Acredite se quiser, mas eu fui ao cabeleireiro e as pessoas estão fazendo piadas com o acidente de helicóptero com João Paulo Diniz. E ainda nem encontraram a modelo, nem com ou sem vida. Acho que no fundo, as pessoas fazem isso por instinto de sobrevivência, para zombar da morte, para não admitirem o medo que sentem dela. Só pode ser.

Não culpo ninguém por isso, acho que é um lado infantil que não leva a morte à sério. Tudo bem, porque muitas religiões também comemoram o fim desta vida terrena, inclusive, com festas. Não sou nenhuma especialista no assunto. Pra mim, coisa de morte mesmo é ver a Astrid Fontenelle, tão competente, sendo obrigada a fazer merchandising de jazigo no programa Melhor da Tarde. Fiquei constrangida por ela. Acho que se eu cruzar com ela em algum lugar, vou fingir que não vi.

Sou péssima andando de bike, péssima.Ando o suficiente para que ninguém me acusem de não ser capaz de me locomover com tão arcaico aparato. Mudo as marchas,ok, dou minhas pedaladas, mas sou muito fraca no tema.

Corro pouco,mas nado bem, o que dificulta um pouco a minha fantasia de ser tri-atleta. Sempre achei lindo o corpo das tri-atletas. Queria muito ter o físico da Fernanda Keller. Infelizmente ainda não descobri um método para ficar daquele jeito sem ter que gastar tantas horas praticando esportes.

Aqui em águas de São Pedro, o dia serve para o movimento e a noite, para o descanso. Já andei de bike, caminhei uma hora e meia e agora, já depois do lanchinho, estou aqui, dando um tapa no blogger. E tomando um chá de erva cidreira direto da horta.

O céu estava especialmente azul com nuvens cor de rosa, lindo, bem aquele céu de inverno na montanha.

Os cachorros dormem e eu, vou ver um filme.

Beijos,

Rosana

Quase meio dia. Pinta aquela dúvida, ir ou não ir para a academia? Rimar, rima, mas não adianta nada. Me faz lembrar a paródia que eu mesma fiz do ‘Mundo,mundo, vasto mundo, se eu meu chamasse Raimundo, seria uma rima e não uma solução. E provavelmente, eu seria sapatão’. Uma bobagem, eu sei, toda vez que eu penso em escrever isso, apago, coisa que talvez eu faça agora novamente. Mas eu estou resolvida quanto a este quesito, sou uma pessoa normal, como qualquer outra. Como todo mundo também comecei minha vida sexual aos 7 anos com minha prima! (Adoro essa linha, de um texto de humor para um stand up show que ainda não fiz e deixarei para os últimos anos de minha vida.)

Por falar nisso, tive uma ótima idéia para o fim da vida: vou passar os últimos anos da minha vida, dos 90 aos 95, editando. Fitas, textos, álbuns, etc. Editar requer tempo e concentração e acho que aos 90 estarei a uns 30 por hora, bem desacelerada.

Por ora, é hora, é hora, é hora, pique pique, rátimbum.

Ilha rá tim bum. E o autor real, o Flávio de Souza, assume toda a sua criação.

parabéns a toda nação.

rosana

Querido Leitor

Cheguei da caminhada de volta à chácara e enquanto ía para a cozinha meu marido ligou o rádio. Foi assim que

soubemos da morte do comandante Rolim Amaro. Fiquei estarrecida.Não apenas porque o conheci pessoalmente,

em várias entrevistas, ou porque acho seu sucesso admirável mas principalmente porque foi uma morte tão acidental

e justamente, no ar. Li na revista Veja que ele havia comprado umas 4 dezenas de aeronaves na Feira de Aeronáutica

que aconteceu há poucos dias em Paris. Tantos planos, tanta prosperidade e tudo termina assim, sem mais nem menos.

Se não podemos reverter a morte, pelo menos podemos relembrar através dela que a vida é para ser celebrada

a todo instante. E que não podemos perder nossos preciosos momentos com bobagens. Cada dia é uma jóia e deve

ser tratado assim.

Eu, quero agradecer o meu dia, a minha alegria, o fato de estar viva, de ter uma família deliciosa e de poder desfrutar

de tudo isso com saúde.

Ele sempre viveu cruzando o céu. Agora, vai voar como nunca voou antes.

Adeus comandante.

Boa viagem.

Rosana

Querido Leitor,

Minha alma está em férias. No mercado, não sabia a data certa para preencher o cheque e coloquei algum ontem recente que fizesse nexo.

O relógio serve para cronometrar alguma informação no campo do esporte ou tecnológico, de resto, não tem muita utilidade. Mais fácil dividir o dia em antes e depois do churrasco ou da caminhada. Ah, to indo pra uma delas, até a volta!

Rosana