O chão e os sapatos

Eu trouxe sapatos demais. E sapatos inúteis. Usei todos, mas só de teimosia, pra justificar o peso dos pares na mala. Idiotice. Eu teria feito toda a viagem com um par de chinelos, um par de tênis e um sapatinho baixo. Mais nada.

As ruas de Roma, no centro velho, se alternam entre pedras grandes e calcadões. As ruínas visitadas exigem um calçado firme e de sola de borracha, como tênis.

O calor inviabiliza o tênis e, por isso mesmo, você tem que estar sempre com as havaianas na bolsa. Ou qualquer outro chinelo. Mas ninguém sobe o Vesúvio de pé de fora, tem que ser tênis mesmo.

Positano na Costa Amalfitana é de ladeira. Praia de pedras que realmente machucam e exigem chinelos e um esquema de arremesso do seu parceiro de time.

E teve o passeio de barco. No barco você tem que ficar descalço, mas leva as sandálias o tempo todo.

Atenas é toda calçada, mas tem o Parthenon. E lá vamos nós pro chão específico. As pedras antigas cobertas por tantos pés, de mármore polido, escorregam. Tênis é o melhor. E muito cuidado.

Santorini é só chinelinho baixo, sandalia aberta e roupinha leve. Pra passar 4 dias em Santorini você precisa de um chinelo, dois biquinis, uns vestidinhos, chapéu, protetor solar e muita água. E uns euros, evidentemente.

Aqui, um adendo: o dinheiro em papel acabou e eu tirei com o cartão de crédito num terminal de banco na praia mesmo. Facinho, embora não seja recomendável fazer isso o tempo todo.

Quer dizer, o sapato fechado que trouxe eu usei uma vez pra jantar num restaurante bacana em Roma. A sandália de salto usei uma vez só pra constar. E um sapatinho de sola de borracha baixinha, mas fechado, usei uma vez só.

Planejar uma viagem é uma arte e tem que ser feita de cabo a rabo, da cabeça aos pés.

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