O que é “ser homem” pra você?

Twistórias – 92 – Ser homem – da série de 140 twistórias feitas com tweets públicos.

E pra quem quiser ouvir One Direction:

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Para Roma com amor

Sou fã do Woody Allen. Vou para Roma em 4 dias. Nada poderia ser mais perfeito do que ir ao cinema ver To Rome With Love. Comprei as entradas pela Internet (acho caro, mas adoro a comodidade de comprar online e imprimir os ingressos em casa :D), marquei os dois últimos assentos disponíveis lado a lado, esperamos o horário e fomos sem grandes expectativas, mesmo porque seria difícil fazer um filme que suplantasse Midnight in Paris. Sem contar que eu já tinha lido uns tweets da querida Clara Averbuck que não tinha saido do cinema muito encantada com o filme. Fui ver.

Vou dividir o post em dois: o que eu achei/senti apenas vendo o filme e o que eu soube depois de pesquisar um pouco na Internerdz.

 

ANTES

A sala de cinema era pequena e estava lotada. Woody Allen tem fãs fiéis de uma vida, como meu marido e eu. Vemos todos os filmes que ele produz, independente de qualquer coisa. E, depois do estupendo sucesso de Meia Noite em Paris, era quase garantido que todo mundo fosse ver Para Roma com Amor. Sentamos no gargarejo.

O filme tem a presença de Woody, o que já acalentou nossos corações. Ele, em seu papel de ateu com medo de avião é engraçado por si só, porque é aquilo que a gente já sabe. Depois vem Roma. O trânsito caótico, o policial que nem liga pro acidente, o ator falando pra câmera. E os pares românticos. A jovem turista americana que se apaixona por ação de ‘serendipity’. Depois os atores que a gente reconhece de outros filmes e fica falando pro vizinho de cadeira. “Olha o Jesse Eisenberg do The Social Network! Olha a Ellen Page de Juno!). E a Penélope Cruz, em seu arquétipo de uma-linda-mulher-garota-de-programa-de-vestidinho-vermelho-e-salto-agulha, gostosa que nem ela só. E o Roberto atrapalhado Benigni. E o Alec Baldwin. E tudo mais.

Aí tem as histórias. As citações intelectuais, literárias. Os (w)alter-egos e todo mundo se comportando como Woody Allen. Divertido. Uma hora eu pensei que o filme fosse baseado em resultados do Google sobre a Itália, tipo as principais tags associadas à Roma: amor, paixão, adultério, paparazzi, cinema, ópera.

Rimos bastante em várias cenas. Tem muito clichê, muita piada pronta. Mas a gente ri do mesmo jeito. O filme é totalmente sem compromisso, freguesa, pode entrar, pode rir, nem precisa pensar!

No final achei o roteiro meio fraquinho e com cara de merchandising turístico de Roma (como se precisasse). Pensei várias bobagens, como Woody Allen encontra o Guia Michelin, o Zorra Total de Woody Allen. Mas como se diz, qualquer filme de Woody Allen é melhor que muita coisa por ai.

 

DEPOIS

O nome de um filme do Woody Allen é muito importante. Eu não sabia que o primeiro nome dado para esta obra foi Bop Decameron. Fui ver. Isso explica muita coisa, pelo menos pra mim. O Decameron de Giovanni Boccaccio,é um texto alegórico medieval do século XIV (tá na Wikipedia, gente) que reúne 100 contos de 10 pessoas jovens. Elas falam de amor, do erótico ao trágico, com humor, brincadeiras e lições de vida. Essas histórias são contradas pela técnica de “frame story”, uma história dentro da história.  Pronto, aqui eu já comecei a achar que eu estava entendendo. Ah! Itália, Decameron, histórias de pessoas jovens, tudo a ver com a ideia do filme. O filme é uma história, que conta a história de alguns jovens. E mais: o Decameron tem uma coisa de numerologia e princípios, como as Quatro Virtudes. São quatro casais, não? Bom, aí pode ser só viagem de roteirista, vou parar aqui pra não voar.  E tem a parte do Bop, que nos faz pensar em todo o clima sexy e moderno. Bop Decameron seria uma atualização revisitada do Decameron original. Bom, Allen sempre faz isso com livros em filmes, não? Por que não agora? Ele poderia ter escolhido algumas histórias entre as cem e adaptado para o século XXI as coisas eternas do ser humano (Roma, cidade eterna…) como paixão, insegurança, traição, ventura, desventura. Afinal o ser humano não mudou tanto, como a Roma que o personagem de Alec Badwin conheceu quando jovem.

Só que Allen abandonou a ideia do Bop Decameron e mudou para Nero Fiddles. Oi? Ah, tá. Nero tocando violino enquanto Roma está em chamas. Nome ruim, não colaria. Nero seria quem, Woody Allen? Bom, ele não toca violino, mas clarineta. E muito bem, aliás. E ai ficou To Rome With Love. A parte boa da tradução é ficou PERFEITA. Para ROMA com AMOR sendo que ROMA-AMOR, bom você já notou.

 

 

CONCLUSÃO

O filme é uma piada, uma brincadeira. Mas uma brincadeira de Woody Allen aos 76. O filme fala de amor e sexo, mas sem ser sexy. A melhor parte é a crítica à mídia vazia, fama pela fama, no personagem de Benigni. Morri de rir. É a pura realidade de uma época absolutamente oca, da ilusão de fama criada pelo cinema e que transformou seus atores em ‘astros’ até as celebridades banais produzidas pela TV. Pode ser mais uma bobagem da minha cabeça, mas eu vi isso. A garota que se sente seduzida pela oportunidade de sentir “O beijo” de um astro da grande tela e a trivialidade do pão torrado com geleia que o súbito famoso da TV que não tem nenhuma importância.

Só sei que gostei de ter ido, de ver, mas gostei mais ainda de voltar pra casa.

Acho que o que fica de tudo é Rome, sweet Rome.