Ideia boa pra ser copiada

final do ano passado fui para São Francisco para participar da primeira versão americana do YouPix. Antes da viagem, Bia Granja passou um link muito legal chamado Boutiika. A ideia é ótima. É um site que pesquisa em sites de butiques locais, privilegiando os pequenos negócios.

O nome é Boutiika e o link é esse – http://www.boutiika.com/sf

Repaaaaare que o /sf/ final é de San Francisco.

Você pode tanto pesquisar por áreas da cidade, por produtos ou pode pesquisar na área toda.

Achei a ideia tão legal que ressuscitei o link do email.

Não seria incrível que, em cada cidade brasileira, você pudesse ter um search com as lojas das redondezas?

Dia Municipal do Físico

E ai eu vim correndo pra casa, pra me arrumar e…não é hoje a solenidade. É dia 18. E hoje não é dia 18. Pode ter uma pessoa mais tonta que eu?
Ah, físicos!

Dia 18 eu vou lá.

O endereço da felicidade

A versão do WordPress que eu uso está com um bug. Quer dizer, não sei se é um bug, talvez seja um animal peçonhento, como uma cobra, já que se arrasta há duas semanas. A parte ‘visual’ do post não funciona e o que resta é postar na aba do html do código-fonte e aprender a lição para a vida de que muitas vezes what you see is not what you get.

São 9:49 da manhã de uma terça-feira de frio e chuva, de um dia que dobra o mes de maio ao meio. Estou de camisola de inverno, acabei de tomar o café e ainda não fui tomar banho, nem escovei meus dentes. Já tomei meus dois remédios de todas as manhãs, um para repor a tireoide que se aposentou prematuramente por serviços prestados, outro para compensar a vida desregrada que levo.

Gostaria de ir à pé para o trabalho, mas o caminho não é lá muito agradável ou seguro e, como está garoando, se eu segurar o guarda-chuva com uma das duas mãos, corro o risco de ter minha bolsa roubada sem poder reagir. Pelo menos essa é a desculpa que meu cérebro inventou para justificar a preguiça de sair agora. A parte boa é que posso usar o fato de ser rodízio do meu carro como álibi. Antes das 10 não poderei sair sem ser multada.

Estou sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Estou feliz. A felicidade estava em casa me esperando.Veio sem avisar. Ou, vai ver, sempre esteve aqui. Aconteceu enquanto eu estava indo para a mesa de café. Meu marido estava pedalando na ergométrica e assistindo a um filme do Woody Allen. Era Annie Hall. Meus olhos se prenderam ao filme, como se fosse a primeira vez e não consegui mais parar de olhar para a tela. Enquanto eu tomava café meu cachorro veio pedir comida. Levantei, peguei a xícara, sentei na poltrona. Enrolei-me numa coberta, peguei o cachorro no colo e ali fiquei.

De repente, olhei para a janela e senti felicidade. A chuva fina lá fora, o conforto da casa quente, as pessoas que amo, aquela vida no meu colo lambendo minha mão.

Estar aqui é um momento transitório, mas que é resultado de toda a minha história. Não estou numa cena, não fui colocada na marca pelo diretor. Cheguei aqui. Por caminhos tortos e ziguezagueados, por acaso da sorte, por causa de meus ancestrais, por obra divina. Cheguei aqui. Estou aqui. Na poltrona que comprei, onde posso ler, fazer tricô, ver filmes, navegar na rede, sonhar. Estou na casa que construimos, na vida que levamos, vendo um filme que amo, de um dos poucos artistas que realmente admiro com fervor, Woody Allen.

É terça-feira e daqui a pouco eu vou sair para trabalhar. Meu trabalho também faz parte da minha história. Amigos queridos, pessoas que aprendi a amar, cujas linhas cruzaram as minhas há muito tempo. Meu cachorro apoia a cabeça no meu peito e fecho os olhos. A felicidade toma conta de mim como um alívio. Abro um sorriso, fecho os olhos e choro. Tenho vontade de dizer obrigada a tudo e a todos por ser tão feliz. Desejo que todos possam ser felizes assim, até mesmo os que me odeiam por isso.

Sei que pra muita gente minha felicidade parece óbvia, porque tenho casa, conforto, família, num mundo onde um bilhão de pessoas passam fome. Minha mente plural sabe disso, mas a felicidade que veio me visitar nesta manhã, não consegue abraçar além da poltrona. Ela é pequena e quentinha, como o cachorro no colo. E eu a aceito, sem medo e sem culpa.

O filme acaba, o cachorro desce pro chão. Pego a caneca e levo-a pra cozinha. Ela tem minha foto e o nome do blog, Querido Leitor, igual às canecas que vou sortear aqui.

Venho para meu computador e começo a escrever este post. Meu marido vem se despedir, está pronto para ir trabalhar. Aviso-o que hoje tenho um evento na Assembléia Legislativa, a solenidde de comemoração do Dia Municipal dos Físicos. No convite, o logotipo do Instituto de Física, onde estudei por seis anos e da USP, onde estudei durante oito anos inesquecíveis.

Abraço meu marido e embaralho o fio do seu fone de ouvido. Choro no seu ombro e digo que sou feliz. Mostro o convite e brinco, dizendo que ele veio personalizado com minha foto. Ele estranha, porque só vê a foto de Albert Einstein. “Então, querido, sou eu. Einstein. E você é Freud, como os nossos bonecos”. Ele ri e me beija.

Volto pro WordPress, esse que está bichado e não funciona direito. Mas que ainda assim permite que eu diga tudo isso, de um jeito torto.

Um jeito torto. Foi assim, por jeitos tortos que cheguei a este momento que já passou, um instante de felicidade. Ela veio, fez uma linda visita e saiu. Não sei onde foi, a gente nunca sabe. Mas se eu fosse você ficaria atento. Pode ser que ela tenha saido daqui e ido direto praí, no endereço onde você está. Tenho certeza que você vai reconhecê-la imediatamente. Ela é gentil e amorosa e aparece em qualquer lugar, quando menos se espera, para todos que olham o mundo com gratidão. Ou esperança.