Amo/sou Internet

Meu marido e eu usamos o aplicativo mais fofo do mundo para casais, o Pair, uma recomendação da queridona Bia Granja. E, sim, eu já falei disso antes. Pois estávamos conversando, eu aqui no trabalho e ele passeando pela Filadélfia. Até que ele mandou uma foto perguntando: “quem é esse cara? Estão filmando aqui na rua”.

Olhei no celular e vi esta foto:

Bom, eu não sei quem ele é. Mas corri no Google para pesquisar. Digitei algo como ‘shooting movie in Philadelphia’, pesquisei pela data de hoje e bingo! Achei a notícia:

Ou seja, em segundos eu disse pra ele que era o Terence Howard (do Law and Order) filmando com o Collin Farrell pra Dead Man Down. Me senti a própria Chloe pegando dados para o Jack Bauer em 24 horas! ahahaha

A Internet é tudo. Quase tudo. Ah, se todo mundo tivesse acesso e usasse bem!

Céu d outono / on Instagram http://instagr.am/p/KVFBlTjyHe/

Cachoeira, Carolina, Galinhada e Grunhidos

CACHOEIRA – a ética por água abaixo
Quanto mais eu leio sobre o caso Carlinhos Cachoeira, mais fico chocada. Como é que esse homem conquistou tanto poder, em tantas esferas? Vi o vídeo exibido ontem pelo Domingo Espetacular, falando da revista Veja. Achei a reportagem muito boa, muito clara, didática mesmo. Gastei alguns minutos refletindo sobre interesses. Todo mundo tem interesses, sejam eles financeiros, políticos, pessoais. Até a pessoa mais ética do mundo tem interesse em fazer um mundo mais ético. Não estou julgando, apenas dizendo que somos todos movidos por interesses. Se são lícitos, ilícitos, se são interesses que atendem ao bem comum, é outra discussão. No momento, meu interesse, quase um sonho, é minimizar a corrupção no Brasil. Ter o ZERO corrupção como meta. Corrupção Zero é um belo interesse.

FOFOCA – você demanda, a indústria produz
Infelizmente, nem todo mundo se interessa por política, corrupção e assuntos de âmbito nacional. A massa não gosta de discutir ideias, gosta de falar de gente. Ideias são abstrações, pessoas são reais. E, na nossa cultura latina, falar da vida alheia, especialmente de famosos, é um vício. Nosso vício é constantemente alimentado pela mídia, que tem só um interesse, como toda empresa, lucro. Então para atender esse mercado ávido pela vida dos famosos, a mídia reserva um tempinho para os assuntos nacionais e um tempão para fofocas de celebridades. E, lembre-se, você move a máquina. Quanto mais fofoca de celebridade você consome, mais será produzida. A fofoca de momento é o vazamento das fotos da Carolina Dieckmann.

FOTOS DA DIECKMANN – queria mesmo era ver a verdade nua
As fotos de Carolina vazaram na 6a. feira à tarde. Hoje é 2a. feira. Ainda estamos falando nisso. A novela começou e não tem dia pra acabar. Ainda vai durar. É compreensível. O personagem tem todos os ingredientes para emplacar. Linda, jovem, famosa, polêmica. O crime envolve a Internet. E o impacto é geral. Todo mundo viu as fotos. Quer dizer, voltando à primeira casa, atende a todos os interesses, exceto os dela. O povo quer ver a atriz nua, a mídia quer nossa atenção, todo mundo sai lucrando. Agora, vamos em busca da verdade nua. Essa é bem mais difícil de desnudar. A verdade adora fazer cosplay.

GALINHADA – o povo quer depenar a fama
Cheguei a pensar em ir à Virada Cultural. Mas não tive coragem. Nem energia. Fiquei em casa, acompanhando os acontecimentos, como a tumultuada galinhada do Alex Atala. Quarto melhor restaurante do mundo de acordo com um ranking e veja o que acontece. A carreira de Atala fica para sempre ligada à galinhada. Ele não tem culpa de nada, mas paga o preço de ser o mais famoso na história. Se tem o bônus de ser um chef renomado, tem o ônus de ser cobrado e culpado por qualquer problema. O povo, o mesmo que foi lá mais pra fotografar o galo do que pra comer a galinha, não quer nem saber. Quer promover panelada em frente ao D.O.M. pra rechear a vida, gratinar o vazio e ainda sair nas reportagens como sobremesa. É muita fome de sucesso, meu povo.

GRUNHIDOS – Esse Saramago
Pouco tempo antes de morrer, José Saramago opinou sobre o Twitter. “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.” Grunhido, ele disse. Grunhido. Talvez, se ele frequentasse o TWitter, mudaria a opinião. Não produzimos grunhidos, mas ‘kkkk’s. Estamos todos aqui, no circo do entretenimento que atende ao poder, rindo como se não existisse a injustiça. Estamos aqui, gargalhando e fazendo piadas com tudo o que de errado existe no Brasil, em vez de lutarmos por um país mais honesto. Rir é mais cômodo, mais simples, socialmente mais interessante. Mas o riso sem atitude é alienante. Se não nos mobilizarmos contra as cachoeiras da corrupção, se nos distrairmos irremediavelmente com histórias de celebridades, se não soubermos distinguir entre a obra e o autor, não retroceder a antes do grunhido. Vamos todos morrer de rir. Quando um povo inteiro só pensa em rir em vez de se indignar, os corruptos é que acham graça.

Bom dia.

PS – Admiro a beleza da Carolina, acho injusto culpar o Atala, gosto da obra do Saramago e quero que os corruptos se danem. Muito.