E o tempo passa

Não sou perdulária nem consumista. Gasto meu dinheiro com infraestutura muito mais do que com produtos. Não vou ao shopping, quase não compro roupas, não sigo moda. Também nunca fui pão-dura ou mão de vaca. Mesmo nos tempos de maior dureza conseguia guardar um pouquinho e viver com o que tinha. Adapto-me. No fundo não ligo muito pra dinheiro. Quero ter o suficiente pra dar uma vida boa e garantir o futuro dos filhos, viajar, desfrutar dos anos que trabalhei, sem ter que fazer contas. Já está tarde demais pra querer ser milionária. Não tenho empresas e negócios, não faço investimentos, nunca joguei na loteria na minha vida. Então vai ser assim mesmo, do jeito que está. Trabalho, recebo, pago as contas, as pessoas, compro comida, viajo com a família e tudo mais. Vivo bem. Nenhuma queixa. A não ser uma: gasto mal o meu tempo.

As redes sociais são um ralo de distração. Se você bobear o ralo engole você. É fácil de entender os motivos. Numa rede social você se sente importante, bacana, importante, participante. Tem gente que só tem vida na web. Fora dela é quase nada. Natural que a pessoa volte para o lugar onde é reforçado, onde pode ser ‘alguém’.

Tem muita coisa que é total perda de tempo. Brigar, bater-boca, discutir com idiotas. Dar atenção pra doidos. Cair em armadilhas infantis de pessoas que querem apenas isso, seu tempo e atenção. Também é perda de tempo e energia compartilhar tudo. Postar a foto da espinha. Dizer que está chovendo. É tudo pra nada, é tudo #brinks, é só estar por estar. Parece conversa de adolescente. Ninguém quer nada, nem quer concluir nada, nem tem nenhum objetivo. O objetivo é só ficar junto e passar o tempo. Encher o saco. Sentir-se vivo. Parecer importante. Ter a falsa sensação de estar sabendo de tudo.

Para estar por dentro você tem que saber o que a Galisteu pensa da Ana Hickman, opiniar sobre a careca da Babi no Pânico, ouvir o funk da Valesca Popozuda. Não sei o que isso traz pra você, mas pra todos os envolvidos isso traz dinheiro. Isso mesmo. Porque o naquela equação que diz que tempo é dinheiro, o SEU tempo é o DINHEIRO deles.

Você gasta tempo com bobagem e enriquece os espertos. Quem é o bobo, afinal?

A indústria do escândalo, do barulho, do sensacionalismo, do medo, da atenção a qualquer preço quer você. Quer seu comentário, sua indignação, sua raiva, sua emoção, sua revolta, sua paixão. Sua audiência, seu clique, seus olhos. E você dá. Dá tudo isso e muito mais. Até seu voto às vezes.

A mídia conta com o fato de que ninguém CONSEGUE ignorar e ficar alheio. Poucos conseguem. Todo mundo acaba vendo ou sabendo de todas as bobagens.

Quem tem o poder na mão? A mídia. O cabelo da apresentadora, a roupa da jornalista, a frase do artista, a sacanagem do humorista.

Você acha que tem o controle remoto da TV. Mas é a mídia que controla você.

Se você deixar, é claro.

 

 

 

 

 

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