Feijão, esse mistério

Feijao Canario
(Foto: Ricardo Bernardo | ricardobernardo.net

Na novela Insensato ♥, uma das cenas mais ovacionadas pela população foi aquela em que Norma mandou Leo cozinhar o próprio feijão. Fiquei imaginando quantas pessoas passariam fome caso precisassem preparar o feijão.

Guardei a informação na cachola e esqueci o assunto.

Hoje, o feijão cru volta pra minha vida. Na homepage do R7, mais um episódio do meu reality show favorito:

Li na matéria que ela precisou de ajuda dos universitários para cozinhar o feijão pro queridão. Tudo devidamente narrado no Twitter:

Meu amor @mlkdentinho me ajudando a escolher o feijao, eu fazia isso quando pequena. Hj e assim ainda, cozinheiras de plantao me ajudem? Kkkless than a minute ago via Twitter for BlackBerry® Favorite Retweet Reply

Oi gente, com a dica de todos…kkkk e a Meire, uma mineira que mora à anos aqui…fez todo o almoço. O feijao ficou maravilhoso!less than a minute ago via Twitter for BlackBerry® Favorite Retweet Reply

Eu adoro a Dani. Sempre gostei dela. Vou mandar um tweet com link pra tutorial de fazer feijão. Quem sabe ela segue os vídeos do Edu Guedes e vira uma super cozinheira.

Anúncios

Quer dialogar com minha cachorrinha?

http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?video_id=677291&id_video=677291&width=560&height=315&related=&hd=&cor_fundo=&cor_titulo=&color1=&color2=&color3=&slideshow=&config_url=&swf=1

TagShow04 – Minha cachorra fala por queridoleitor no Videolog.tv.

Os erros de não saber

Sábado passado fomos levar nossa filha num acampamento em Salto de Pirapora, perto de Sorocaba. Como não sabíamos chegar, fiz todo aquele circuito: site, endereço, Google maps, GPS, apps de iPhone.

Imprimi as instruções do Google e dei uma boa olhada pra entender o mapa. Depois entramos no carro. Meu marido não achou o endereço exato no TonTon do iPhone, mas achou que era próximo. Fomos.

Tudo estava indo bem ató o TonTon enlouquecer. Na verdade, alguma coisa deve ter acontecido e ele começou a ir pra outro lugar. Catei o mapa em papel e fui ajudando a navegar. Mas não era suficiente, o mapa do site do acampamento era bem indicativo e o do Google sugeria uma rota estranha.

Como estávamos com meu carro, peguei meu GPS, que costuma errar tudo, coloquei o endereço que me pareceu correto e retomamos o caminho. Pra ajudar, era noite e estava, claro, bem escuro. (ui!).

Meu GPS foi um querido. Nos levou até o PORTÃO de entrada do lugar. Minha filha desceu, demos carona para dois amigos que estavam voltando e viemos para casa. Não dirigi mais o carro até 2a. feira de manhã.

Na 2a. feira, fui para o trabalho, parei no meu estacionamento, onde meu celular foi roubado uma vez, não sei se você se lembra do longo episódio. Na 3a fui à pé, na 4a. fiz z cirurgia e trabalhei em casa. No final do dia fui pegar o GPS no carro para colocar um endereço pra reunião de 5a e ele não estava lá. Nem os óculos escuros. Nem uns trocados do console. Estranhei. Procurei nos lugares do carro onde costumo guardar as coisas, no chão, nos tapetes, nada. Nos bolsos dos bancos. Nada. Procurei a casa toda. Nada.

Quando meu marido chegou à noite, quase sem poder falar com a boca dolorida e perguntei se ele tinha usado o carro ou o GPS. Ele nunca usa meu carro entre sábado e 4a.feira. Ele disse que não. Fiquei sem entender nada.

Na 5a,cheguei no estacionamento e disse para um dos manobristas que eu tinha uma coisa chata pra falar. Que eu não estava achando o GPS e os óculos e que eu só tinha usado o carro para ir pra lá. Pedi pra que eles dessem uma olhada em outros lugares ou perguntassem. O rapaz já ficou injuriado, lembrou do iPhone roubado e eu disse que só estava pedindo uma ajuda pra entender o que aconteceu. Cheguei de boa, sério.

Na volta, indo pra reunião, o mesmo rapaz chegou espumando. Muito bravo comigo. Me levou até o porta malas e lá, atrás de uma sacola, quase embaixo do tapete, um pequeno saquinho plástico branco, sem marca, amarrado com dois nós, estavam os óculos, dinheiro e o GPS. Tudo muito apertadinho no minisaquinho branco, embaixo do cantinho do tapete. Achei aquilo muito esquisito.

Eu disse pro rapaz que eu não acusei ninguém de nada, mas também não estava entendendo. Eu jamais colocaria meus óculos assim, sem proteção, raspando no GPS, tudo apertadinho num saquinho (sem marca). Agradeci por terem encontrado, pedi desculpas pelo transtorno e fui pra reunião.

Quando cheguei na reunião, mencionei o fato. E eis que um colega diz:

– Vai ver eles estão fazendo curso pra manobrista do Einstein. Lá, quando você estaciona, eles pegam todas as suas coisas,botam num saquinho branco, colocam no porta-malas e deixam um papelzinho avisando que guardaram tudo.

Sai da reunião, peguei meu carro e dei uma geral. Sob o tapete do passageiro, achei uma pulseirinha de papel, pequena, dessas de colocar no pulso (ou no espelho) dizendo “seus pertences estão no porta malas). Ou algo assim.

Me deu um frio na barriga. No domingo cedo, enquanto eu dormia, meu marido me disse que ia visitar a mãe dele. E que ela não tinha se sentido muito bem e tinha ido pro Einstein. Ele nunca vai com meu carro. Ele vai com o dele. Ou com a moto dele. Talvez pela pressa e porque eu estava dormindo, tenha pegado minhas chaves e ido pro hospital. Ela sempre vai ao Einstein.

Voltei da reunião e esperei meu marido chegar. Contei o caso. Mostrei o papel pra ele.

Ele disse que saiu com tanta pressa que nem se lembrou que tinha ido. Estava tudo bem e ele apagou a ida, fora da rotina. Que não viu o papelzinho. Que não deu falta do GPS. Que não tinha a menor ideia que tudo isso tinha acontecido.

Veja você. Como os erros acontecem. Por ignorância, por falta de lembrança, por falta de comunicação, por falta de atenção, porque não procuramos em todos os lugares, até nos mais inesperados, porque perdemos peças do quebra-cabeças. E fica a lição de que quando algo parece errado ou estranho, é porque faltam dados essenciais para completar a lógica. Ainda bem que eu não cheguei acusando ninguém.

Fica também uma frase emblemática do rapaz do estacionamento, em sua defesa torta. Ele me disse:

– A gente não pega nada de ninguém! E mesmo que pegasse, não ía ser da senhora, porque já roubaram seu iphone!

Bom, acho que a minha vez já passou.
Vou comprar uns docinhos e levar pra eles com mais um pedido de desculpas.

Assim é a vida. Um aprendizado sem férias.
Bom dia.