Procura-se, vivo ou morto

Eu acredito em texto. E em contexto. Por isso, vou fazer este texto de forma contextualizada. Acordei um pouco melhor depois do soro com remédio que recebi ontem no pronto-socorro do hospital Samaritano (). Respondi a alguns emails, subi alguns posts, organizei rapidamente minha manhã na Internet, conferi minha agenda. E fui caminhando até o cartório para fazer aquela coisa gostosa que é reconhecer firma.

Assim que saí do cartório peguei um táxi, para fazer um percurso razoavelmente longo, de Santa Cecília a Vila Sônia. ()Fui a uma agência bancária descobrir por que meu cartão foi bloqueado. Fui no táxi tuitando e lendo tweets. E entrei na agência. Entrei sem problemas, por uma porta de vidro giratória. Subi e fui procurar a gerente. Expliquei todo o problema e, depois de algumas confusões, chegamos à conclusão de que não havia nada de errado com meu cartão. Só poderia ser um problema com o cartão dos números de segurança. Ela cadastrou um novo e me entregou. Desci, passei novamente pela porta de vidro e fui aos caixas eletrônicos. E tudo bloqueado. Fiquei realmente chateada. Já era tarde, eu estava longe, meu dinheiro estava todo naquela conta e eu não tinha dinheiro nem pra voltar. Imediatamente passei pela porta de vidro e… fui presa. Fiquei presa na porta de vidro pelo segurança. Agora me diga, qual é o critério para prender uma pessoa na porta, esmagada num pequeno triângulo transparente? Se esse critério fosse FIXO, como é que eu entrei antes e agora não? Comecei a chorar. Finalmente consegui ser solta, voltei a falar com a gerente.

Ela não conseguiu resolver meu problema. Só conseguiu fazer um saque pra eu pegar dinheiro e imprimir cheques pra usar a conta. Como pode? Como eu posso ter um cartão de banco, da minha empresa, que funciona, mas não funciona? Que funciona na agência, mas não funciona na rede de terminais do usuário?

Foi nesse momento que descobri que além do funciona-não funciona existe algo pior. Existe o morto-não morto. Eu já tinha lido alguns tweets falando da ‘morte’ do Amin Khader, em torno do meio-dia. Não acreditei. Ele mandou o link, que foi retirado do ar, mas está no cache do Google. Outras pessoas confirmaram. E desconfirmaram. Uma confusão. Não acreditei e achei melhor não falar nada no blog. Fiquei só acompanhando o rolo no Twitter.

Peguei um táxi depois de muito esforço e passei em casa pra pegar meu carro e ir ao dentista. Adivinha. O provisório do maldito dente que quebrou um dia e que estou consertando, quebrou. Tomei uma anestesia sensacional que fez o mundo parecer melhor. Foi a melhor parte do dia. Do dentista vim para o R7, finalmente. Consegui me maquiar, gravar, enfim, cumprir minhas obrigações.

Acompanhei o Datena ao vivo falando com o Amir Khader e exibindo o vídeo do Hoje em Dia com todo mundo chorando, antes de saber que não era verdade. Não tem como saber ainda quem começou essa história. Nem pra quê. Aliás, pra que e por que também não fazem sentido.

O que faz sentido hoje? Muito pouco. As pessoas só querem se divertir. Nada mais. Querem falar bobagem, querem consumir bobagens, querem rir, zoar, trollar. Até os hackers fazem tudo pelo… LULZ. Lulz deriva de LOL, Laughing Out Loud, numa espécie de plural pirata, com z. As pessoas fazem tudo pelo LULZ, pela sacanagem, de brinks, por nada.

Morrer, matar, hackear, brigar, tanto faz. É tudo circo. Circo online. Circo na mídia. Tudo circo. Nunca houve tanto circo e tanto palhaço. Tanto riso, tanta alegria superficial. Cinco mil anos de civilização, de conhecimento, de produção artística, cultural, tudo termina em LULZ. O que conta é a farsa. Estamos na era da farsa. Tudo é farsa. Quem tem mais poder, mais mídia, faz mais farsas. É um momento ótimo, porque as pessoas tem acesso e não tem preparo, acreditam em tudo, entram em qualquer brincadeira. É inacreditável. Se a prima do animador de auditório que aparece na TV inventar uma história de que está grávida do bode da vizinha, o povo acredita. De polvo vidente a E.T. Bilu, tudo é aceito. Tudo é motivo para hahahaha. Gargalhemos. Vamos rir mesmo. Da vida, da morte, nada mais faz sentido. A verdade não existe, o que existe é a mentira bem trabalhada. Vamos fingir que brigamos. Vamos ganhar mídia. Notoriedade. Vamos virar trending topic, meu bem.

Procura-se sucesso, vivo ou morto.
A qualquer preço. A qualquer custo.

These Days, Being Anonymous is Worse than Being Poor (Glee ♥)

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Autor: @rosana

Jornalista, tricoteira, corredora, agora em versão maratonista.

29 comentários em “Procura-se, vivo ou morto”

  1. Isso me lembra que Clara Averbuck e Lele “mataram sem querer” Max Fivelinhas via Twitter dia desses (http://entretenimento.r7.com/blogs/trico-das-mina/2011/04/16/o-desenterro-de-max-fivelinha/). Essas mortes “fake” viram sempre tópicos de tendência. Tulla Luana é outro exemplo, mas nesse caso foi mais grave, pois foi “suicídio”, já que ela fingiu a própria morte. Espero que não seja uma tendência que tenha vindo para ficar, pois realmente é – no mínimo – de mau gosto.

  2. Olá, Rosana!Tenho dado alguns RTs em coisas que você escreve por achá-las realmente pertinentes. Sou professora da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro. Me identifico, dizendo onde trabalho para que possa ter uma ideia do quanto entendo este seu post. Como cidadã já passei inúmeras vezes pela situação da roleta de agências bancárias e outras tantas absurdas. E com relação ao grande circo midiático, em minha profissão está cada vez mais comum. Minha formação e dedicação em sala de aula passa pelo crivo do que a mídia que ensinar. Para o meu aluno é mais fácil acreditar no que está na tv, jornal, internet,do que no que levei anos para construir com estudo, esforço, dedicação. Não condeno os meios de transmissão de cultura citados, mas me aborrece profundamente a falta de cuidado, a maneira rasa com que a notícia é plantada e jogada ao expectador. Tudo é muito superficial, como se dissessem “Por hoje é só, pois é só isso que queremos lhes dar. Boa noite!” Mas, enquanto houver jornalistas como você e mais alguns poucos que tais, terei a certeza de que nada está perdido… ainda.
    Parabéns pela lucidez e inteligência! Meus neurônios em festa agradecem!

    Obs: A mídia em geral, boa parte altamente comprometida com a propaganda cara dos governos em nível municipal, estadual e federal, não divulga decentemente a campanha salarial dos professores. Deu notoriedade a dos bombeiros, enquanto havia pancadaria, protestos e prisões. Nós não invadimos nenhum quartel general, não fomos presos, mas fomos e somos igualmente desrespeitados pelo governo Sérgio Cabral.

    Marise Monteiro
    Professora que ama profundamente a profissão, mãe e avó.

  3. é, lindona… mas tudo atualmente não é virtual, líquido…formado na nuvem? nós tbem consideramos várias coisas “virtuais” reais… não? sinal dos tempos… e tempos rápidos. vários blogs ganharam pauta suficiente pra hoje e amanhã. depois de amanhã, aparece uma subcelebridade grávida… e assim segue… beijo.

  4. Como seria se a internet não existisse? Como seria, por exemplo, em 1.985? É como o telefone celular. Nunca vi tantas pessoas falando ao telefone ao mesmo tempo, como se estivessem respirando. Por que não era assim na época dos falecidos telefones públicos (orelhões)? As fichas pesavam no bolso? Sei não. Acho que evolução nem sempre é sinal de evolução.

  5. Nossa, Rosana, quanta coisa num dia só! Haja coração, resistência e… saco! (desculpe, mas é a expressão que mais cai bem no caso). Espero que você durma bem, sonhe algum sonho bom de sonhar e amanhã acorde se sentindo bem melhor!
    Um grande beijo
    Sônia

  6. Sem comentários Rosana.

    Talvez apenas a arte possa nos salvar. A Arte verdadeira, aquela que é expressão da alma. A pintura, a música, a literatura. Como você disse,
    dedicar-se ao que é perene, pois essa cultura do instamatic (lembra das câmeras?) está cansando.

  7. Eu caí nessa trolagem toda, graças a Globo.com, na coluna Ego. Quando li sobre tal morte no twitter, fui “confirmar” a notícia em algo que pudesse ser um pouco mais confiável.

    O “lastro” da Globo.

    Vi que errei totalmente. Nem em portais podemos confiar mais…..Globo, credibilidade você “não” encontra aqui.

    Já não é de hoje que nosso jornalismo não verifica e nem confirma suas fontes. E agora com o Twitter, a velocidade que a notícia chega é igual a de um Tsunami, arrasando tudo que encontra pela frente, e como a vontade de dar o furo da notícia é muito maior do que a responsabilidade em buscar a verdade, acontece isso! Ainda existem as cópias das cópias das notícias, o que é pior. Invente uma notícia pra ver, se não aparece o mesmo texto nos jornais de norte a sul do país?!?

    A Boatweetaria está a solta faz tempo….e quem não confirma o tweet se trumbica!

    @tolstoy

  8. Olha, numa boa, eu admiro sua energia. Como você consegue dar conta de tudo, vencer esses contratempos.

  9. Oi Rosana, lendo teu post pensei num motivo que levasse o povo a ser assim, e talvez seja a mesma graça que alguns viram em se candidatar para a copa sem um pingo de simancol, e também elegendo um palhaço para nos representar na câmara dos deputados…. é tudo tão engraçado, né? :-/

  10. Deu deprê. Tenho percebido a mesma coisa e sendo uma pessoa que não gosta de estar no foco me sinto bem constrangido por tudo isso. Vergonha alheia mode on 24hs dia. A gente perde a crença em tudo. Isso desanima. Exatamente como em Glee, você querer se preservar é uma doença. Contemplar, refletir, ficar em silêncio tornaram-se ameaças a sociedade.

  11. Rosana parece que o povo não quer usar o bendito cérebro que eles carregam em suas cabeças, ou simplesmente não querem saber mesmo, não estão nem aí, o que querem é mesmo se divertir, acreditar em qualquer bobagem dita por qualquer um que quer aparecer a qualquer custo. Fico indignado com a forma como essa midia que detem o poder da “informação” tenta a todo momento nos ultrajar com suas anedótas e suas gracinhas de mau gosto. Gostam de nos ver alienados e cegos, adoram zombar da nossa cara e o que mais entristece é que parece que gostamos de ser tratados assim… que pena pois eu não gosto, não aceito, e procura ao máximo questionar tudo e usar o meu próprio cérebro!

  12. Oi Rosana! Estou passando para dar uma atualizada (e ler os posts) do QL e para agradecer o carinho que vc me recebeu hj para autografar o livro, mesmo dodói….vc me fez muito feliz nesta terça-feira (29). Fiz um post no meu blog (http://cafecomnoticias.blogspot.com/2011/06/o-dia-em-que-conheci-pessoalmente.html) só para contar esse episódio lindo….adorei a dedicatória, viu. Agora, mudando de assunto e falando do post: que loucura o seu dia, hein….meu D’us….ainda bem que deu tudo certo, hein. Fiquei chocado com essa pseudo morte do Amim….gente, como é que se apura só pelo Twitter e pelo o que os outros portais repercutem? Como assim Bial? Confesso a vc que tenho medo dessa era de farsa….essa brincadeira toda está indo para um caminho sem volta que me assusta. Beijos e melhoras!!! 🙂

  13. Peço desculpas antecipadas,,,mas a ‘morte’ ou não morte de certas pessoas

    não fazem a minima diferença aqui em casa…..

    Será que estou ficando insensível?

  14. Barra esse dia que vc passou. Ainda bem que terminou, espero que vc esteja bem.
    E fique bem!

    qdo vi um monte de “Amir Khader morreu” na TL pensei que era um importante político da Líbia, sei lá… amigo do Khadafi, Gaddafi, sei lá. Mas era só um véio com cara de grão de bico e fofoqueiro ainda, afff.

    twitter “mata” mais gente que guerra, tá um saco, tanta bobagem, toda hora. as pessoas não se cansam de serem tão superficiais? assim se leva a vida? é triste.

    bjs

  15. Bom dia
    Apesar dos contratempos o importante é que conseguiu resolver tudo.
    Essa do Amin foi a do dia, ferramentas importantes utilizadas infantilmente podem um
    dia fazer algo realmente importante ser desconsiderado, lamentável.
    Beijos e excelente dia prá você!

  16. Este trecho de seu post “O que conta é a farsa. Estamos na era da farsa. Tudo é farsa. Quem tem mais poder, mais mídia, faz mais farsas.” Me lembrou a música Falso de Cláudio Lins

    Falso
    Cláudio Lins
    Composição: Lenine/Dudu Falcão/João Falcão

    Falso
    Quase tudo hoje em dia é falso
    Seu cabelo, seu uísque é falso
    O limite é a revelação

    Falso
    Todo mundo dá um passo em falso
    Seu diploma, seu relógio é falso
    Feito passaporte de espião
    Simulação, o truque do feiticeiro
    Religião, criar um Deus brasileiro

    A solução é difícil saber
    Um lado é verdadeiro, o outro é falso
    Todo ato de bondade é falso
    Todo chá de caridade é falso
    Tudo vale pela civersão

    Falso
    O resultado da pesquisa é falso
    Bem no fundo é tudo um fundo falso
    Pra esconder a cara da intenção
    Contravenção, a alma pelo dinheiro
    Tapeação, a lábia do interesseiro
    Essa canção é difícil entender
    Um lado é verdadeiro, o outro é falso

    O anúncio no jornal é falso
    O conceito de normal é falso
    Tudo gira em torno da ilusão

    Falso
    Todo mundo admira um falso
    Eu também preciso ser mais falso
    A verdade gera confusão

  17. A indiferença, com a qual vemos as consequências sofridas pelo “outro” em função de uma atitude irresponsável,já está na área da patologia. Segmentos inteiros já estão contaminados e doentes….. e facilmente manipuláveis!
    Não sei se conheces (é antigo – 2009), mas é minha forma de mostrar como acho importante sobre o que escreves/tua posição e é por aí que vejo a tua “presença” no Mundo Virtual: You Care!
    Fique Bem – Norma

    Mininova e o Analfabeto Político Digital
    por Carlos Cardoso em 27 de agosto de 2009, 15:10 166 Comentários

    Primeiro eles vieram atrás do Gnutella.

    E eu não protestei, pois nao usava o Gnutella.

    Depois vieram pelos criadores de legendas

    e eu nada disse, pois não usava legendas.

    Mais tarde, eles vieram atrás dos usuários de Linux

    e eu me calei pois não era usuário Linux

    Então, foi a vez do Pirate Bay

    E eu permaneci em silêncio porque não usava o Pirate Bay

    Finalmente, escolhi uma música para baixar.

    E já não havia aonde procurar.

    (com as devidas desculpas a Martin Niemöller)

    Ou, para quem não entendeu: MiniNova recebe ordem da Justiça Dinamarquesa e tem 30 dias para remover todos os links para material protegido por copyright.

  18. Rosana, esse momento me faz pensar na história romana, de como a Roma dos Imperadores, que dava valor a beleza e a vida bem vivda foi substituida pela escuridão da idade média, onde tudo era feio e proibido. Onde os classicos foram destruídos, voltaram para tras mil anos. Pelo jeito o mesmo está acontecendo, estamos na idade média.

  19. Eu Maria Antônia Rosa Bueno Estou a procura de meu pai Alcides Rosa Bueno.minha mãe antes de casar morava no Bairro de São fideles.meus avós maternos chamam_se Fidélis Ribeiro e Maria Ribeiro. Ele foi casado com minha mãe Luciana Ribeiro Rosa moravam em Laranjeiras e mudaram para são Paulo,foi lá em que minha mãe ficou grávida de mim no Bairro de Santo Amaro.Na época meu pai estava servindo na força Aérea Brasileira.Por favor gostaria muito de encontrá_lo pois nasci no dia 7 de Dezembro de 1957.Meu pai desapareceu quando eu tinha + ou – 1 ano,pois minha mãe se separou dele e voltou para São Fidélis.fiquei sabendo que meu pai andou me procurando mas minha mãe não deixava ele me ver.por favor quem souber do paradeiro dele ou for da família favor entra em contato pelo E_mail.Marcinha_rsb@yahoo.com.br.

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