O que cada um tem na cabeça

Quinta-feira eu estava em cima da hora para entrar em sala de aula. O prédio onde pego o diário de classe é mais ou menos distante do prédio onde dou aula de manhã. Tenho que atravessar vários pátios, portar, corredores, subir escadas, pegar elevador até chegar na sala. Nesse dia todos os caminhos estavam lotados de gente. Estava acontecendo um evento muito grande no teatro e tinha gente em todo lugar.

Um grupo de garotas olhava pro teto e impedia minha passagem. Uma garota de vestido longo andava com todo cuidado pra não tropeçar na barra da roupa na escada e impedia que os outros passassem. Senhores e senhoras estavam numa fila da cantina serpenteando pelo corredor pelo qual eu não conseguia passar.

Na minha cabeça eu fui mais ou menos reclamando e xingando todo mundo.Os pensamentos mudos eram mais ou menos assim:

– Olha pra frente em vez de olhar pra cima, né moça?

– Meu senhor, minha senhora, dá pra priorizar a aula em vez do pão de queijo? Grata.

– Pois é, né, garota, vem de vestido longo pra faculdade e agora não consegue nem andar. Vai vendo.

Cheguei na sala de aula e comentei com meus alunos que eu vim fazendo um roteiro na minha cabeça. Primeiro eu mostraria todo o trajeto com uma câmera subjetiva, meu ponto de vista e esses pensamentos em off. Depois, o mesmo trajeto com os pensamentos das pessoas, que seriam possivelmente assim:

O PENSAMENTO DA MOÇA OLHANDO PRO TETO

– Que lindo que é aqui….! Eu adoraria poder estudar num lugar assim… tão lindo… sofisticado…quem me dera.

O PENSAMENTO DA SENHORA NA FILA

– Eu vou comer um pão de queijo bem quentinho, igual minha mãe fazia. Saudades da minha mãe. Faz quantos anos que ela se foi? Doze? Como passa o tempo, meu D’us…

O PENSAMENTO DA GAROTA DE VESTIDO COMPRIDO

– Será que o Lu já chegou na sala? Será que ele vai me achar bonita? Tomara. Pelo menos o vestido me deixa mais magra. Chato é essa barra, que droga, tô quase tropeçando na escada. Já pensou se eu caio de boca, que vexame?

As pessoas não fazem o que fazem para atrapalhar você. Elas apenas estão vivendo a vida, seguindo seus desejos ou perdidas em seus pensamentos. A gente se encontra fisicamente no mesmo lugar, mas é como se cada uma estivesse em seu planeta. Não dá pra julgar os outros, nem há como saber o que cada um está pensando, passando, sentindo. Por isso, o melhor é sempre respeitar o outro. Mesmo porque o outro do outro é você.

Não sei se faz sentido pra você, mas é o que passou pela minha cabeça.

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Bem-vinda, Internet!

Que dia, viu.

Começou cedo. Acordei, me preparei para ir gravar logo cedo no R7. Isso depois de ficar até de madrugada separando vinte links para gravar dez quadros do Rosana Indica. Eis que o técnico da rede, um profissional muito simpático, chegou em casa às 9 da manhã. Eu ia acabar de postar no blog quando a rede foi desligada. Fui pro trabalho.

No trabalho foi tudo bem, a não ser por alguns problemas com a Internet, com o computador e com o mundo. Tirando estes detalhes foi tudo ótimo. Não, minto. Teve o episódio do Marauê whatever que consumiu boa parte das minhas energias.

Do trabalho fui dar aula. Foi tudo bem também e pude ajudar meus alunos com um roteiro que eles vão gravar amanhã.

Cheguei em casa muito cansada, quase 9 e meia da noite, mais de 12 horas depois de sair pra trabalhar.

E encontrei meu PC sem Internet. Quase tive um ataque.

O técnico teve que voltar pra minha casa. Voltou. O que não voltou direito foi o Net Virtua, que está engasgando sem parar. Depois de várias tentativas a coisa desandou. Desistimos e fomos passear com os cachorros.

Voltamos e…nada.

Eis que a conexão voltou, mas só em wifi. No cabo, direto pro PC, niente.

Como?

Troquei de cabo, desliguei e liguei, telefonei pro Net Virtua, dei 3 voltas na cadeira, reiniciei a máquina, fiz tudo.

Por último troquei o cabo. E por último mesmo conectei o cabo em outro modem. Finalmente deu certo.

O problema é que hoje já é amanhã.

Bom dia.

Agora é só resolver outro problema: o PC está sem áudio. Parece que vai ser um loooongo sábado!