Sábado vulcânico

Acordei cedo. Encontrei todos os meus amigos no lobby. Três pessoas da Deutsche Welle ainda estavam aqui cuidando de nós. Dois doze jurados internacionais do The Bobs, só quatro voltaram de trem para seus paises de origem na Europa. Somos oito retidos aqui por causa do vulcão da Islândia. Hoje, um dos rapazes da DW voltou para Bonn. Duas pessoas ainda estão aqui com a gente.

Depois do café, fomos fazer um city tour, com aqueles ônibus de dois andares, com a parte de cima aberta. O dia estava lindo, muito ensolarado. Esqueci o chip do celular para tirar fotos e acabei fazendo só vídeos. E fotos com o iPhone. Depois eu vejo se dá para subir alguma coisa.

Foram duas horas vendo Berlin inteira. Almoçamos num restaurante alemão, voltamos a pé para o hotel e depois fomos para o aeroporto.

Impressionante. Parece um aeroporto fantasma, zumbi, vazio, tudo fechado. Apenas uma longa filha na Lufthansa, onde esperei minha vez para finalmente descobrir que só tem uma opção, embarcar na 5a. feira que vem, dia 22 de abril. Chego no dia 23, se D’us quiser.

Do aeroporto pegamos outro onibus para o hotel. Me troquei e famos todos a uma festa geek, promovida por Mark Glaser e do Alexander Baumgardt. Muitos techies presentes num apê descolado no Mitte, que é uma escola de gastronomia. A ideia era comparar o iPad com o WePad. Filmei uma parte e fiz streaming de alguns momentos. A festa foi até umas onze e pouco da noite.

De lá fomos andar pelo Mitte. Galerias de arte um tanto quanto underground, muitos restaurantes (estilo Bixiga, em São Paulo), muitas prostitutas de rua (todas lindas), muitos bares e lugares com aquela cara que se espera de Berlin mesmo.

Uma parte do grupo ficou. Eu vim com as meninas que estavam exaustas como eu. Consegui me virar bem com meu alemão, já que as outras três não falam uma palavra, amigas da Argentina, Bahrein e Bangladesh. O importante é que chegamos.

Já vi minha família, Lilly e Otto pelo Skype e agora vou dormir. Amanhã tenho que ir pra outro hotel, porque esse aqui já alugou meu quarto.

Foi bom enquanto durou.


Anúncios

Nenhum avião no céu e todo mundo na Terra

Bom dia. Faltam seis minutos para o meio dia na Alemanha.

De manhã cedo, como todos os dias, o despertador tocou. Acordei, abri os olhos e descobri que mais uma vez, estava em Berlim. Me senti exatamente como no filme, O Dia da Marmota (GroundhogDay), traduzido como Feitiço do Tempo. Toda manhã eu acordo e estou no mesmo dia, por assim dizer. No mesmo lugar, sem saber o que vai acontecer. A partir de agora os dias se repetem. É curioso, porque esse sempre foi meu filme favorito. Agora estou vivendo nele. Deve ser hora de aprender. É.

A primeira coisa que aprendi é que em situações adversas não adianta tomar decisões para o dia e sim para algumas horas. Ou minutos. Este post, por exemplo. Não posso escrever tudo e publicar, porque minha senha está para expirar a qualquer momento e, pode ser que ao terminar o texto eu já não tenha mais conexão. Nesse caso, eu tenho que pegar o elevador, descer até o saguão, pegar uma senha para o quarto (para o saguão tem que pedir uma outra senha), voltar, terminar o post. Por isso, escrevo por parágrafos. Veja você o que é a adaptação.

Esta manhã, descobri que dos 12 jurados do The Bobs, 8 ainda estão fora de seus países. Um foi para Frankfurt de trem. Os outros sete estão em Berlim, em dois hoteis. Gabriel, da DW está aqui, nos ajudando. Vamos reunir todos para tomar a próxima decisão. O que sei, com certeza, é que meu voo foi cancelado. E que, neste momento, não há nenhum avião alemão no ar. Todos estão no chão, parados.

Por causa do vulcão na Islândia, aqui na Europa, nem o tempo voa.

Temos duas opções para amanhã, por isso vamos nos encontrar e tomar uma decisão coletiva. Podemos ficar em Berlim e esperar os aeroportos abrire. Nesse caso, se demorar muito, vamos ter que começar a pensar em detalhes como lavar as roupas da mala, trabalhar remotamente de algum lugar, pagar as contas online, pedir ajuda para os amigos e familiares em nossos paises. A outra opção é irmos todos, como um grupo, para Bonn, na sede da Deutsche Welle onde nossos guias estão baseados. Lá teremos computadores na sede, um trem rápido para Frankfurt. Em Bonn tenho até amigos, a querida leitora Arlette. Se optarmos por Bonn, tenho que pegar um trem para Colônia amanhã e, de Colônia, para Bonn. Com uma bolsa, uma mochila, uma bolsa de mão e uma mala. Pelo menos não irei sozinha.

Bom, o Skype está ativo, meu marido acabou de falar comigo e eu tenho que voltar para o saguão do hotel.

E rezar pra fada da fumaça levar as cinzas do céu.